 |
Revista Grafite Hip-Hop
Revista Metalhead
Revista Metalhead Tattoo
Revista Rock Brigade
Jornal do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário
Paixão pela Imprensa Sindical
Webzine Metal Line
Webzine Nightmasters
Webzine Novas Bandas
Revista Rock Underground
Webzine Skyhell
100 Balas nº 31
Editora Brainstore
Revista Comando Rock
Site Portal Vermelho
WebBlog Tataritaritata
Site do cartunista Ademir de Paula
site Clubrock
Jornal Rock News
Fabrica de Quadrinhos
Site Sounds of Battle
Whiplash!
Grafite Hip-Hop: UM CARTUNISTA DAS RUAS
Marcio Baraldi é um dos cartunistas mais ativos do Brasil. Colaborador de várias revistas, de rock, tatuagem, eróticas, e até espíritas, ele também é o mais presente em jornais sindicais e panfletos reivindicatórios. Você certamente já topou com um cartaz dele na rua convocando pra alguma greve ou passeata! Conheça agora um pouco mais sobre esse artista politizado que está lançando um livro de quadrinhos roqueiros e que já grafitou muito na vida:
1) Voce tem alguma relação com o grafite? Quando eu era garoto, grafitei bastante nos muros do ABC paulista, onde eu nasci. Mas naquela época, começo dos anos 80, o grafite ainda estava começando no Brasil. Não se via uns grafites elaborados, cheios de estilo como se vê hoje. Um dos pioneiros do grafite, que já tinha algum destaque na época era o Alex Vallauri, já falecido. Ele tinha uma personagem, a Rainha do Frango Assado, que era um sarro, você a via direto nos muros de São Paulo. Ele foi a vanguarda do movimento! Mas o grafite só se popularizou mesmo da década de 90 pra cá. Naquela época a gente grafitava com máscaras de papelão e chapa de pulmão. A gente bolava o desenho, passava pra chapa e depois recortava tudo com estilete. Dava um trabalho do cão, puta troço primitivo. Eram os primórdios. Não se tinha a técnica que se tem hoje mas mesmo assim saiam uns desenhos bem legais.
2) Quantos anos voce tinha e que tipo de desenho voces faziam? Tinha uns 16, 17 anos e fazíamos uns grafites de protesto! Por exemplo, naquela época quem estava na Prefeitura de Santo André era um partido de direita, atrasado mesmo, então o Teatro Municipal, o único da cidade, vivia fechado. Não tinha peças, shows, não tinha cultura e lazer nenhum na cidade, era um tédio só! Aí eu e um camarada fizemos um desenho do Teatro com as portas trancadas escrito “Em cartaz: NADA PROGRAMADO! – Longa temporada“ e enchemos os muros da cidade, deu polêmica, saiu no jornal (risos).
3) Pelo jeito vc sempre foi um cara militante. Você veio de uma comunidade carente? Eu não nasci na favela, mas nasci no suburbião operário. O ABC naquela época era um subúrbio sem lazer, sem nada pra se fazer. Não tinha um shopping, um bom cinema, nada! Eu era de família operária, pobre pra cacete. Meus pais tinham origem humilde, trabalhavam nas fábricas e nos morávamos numa casa caindo aos pedaços. Você assistiu “Eles não usam Black-Tie”? Era bem daquele jeito (risos)! Eu, pra ajudar em casa, comecei a trabalhar aos 11 anos, distribuindo panfletos, tomando conta de carro e entregando roupas numa lavanderia. Mas nunca parei de estudar, me formei em Desenho Mecânico e depois em Artes Plásticas. Sempre tive vocação pro desenho e pra militância política. Quando era garoto surgiu o movimento Punk, que era muito forte no ABC, e me influenciou muito. Nosso lema era “faça vc mesmo!”, que é o grande lema do punk. Então nós montávamos nossas bandas, grupos de teatro, e passávamos a madrugada, grafitando e colando cartazes de nossas peças e showzinhos. Era um movimento cultural underground. Um movimento Pré-Grafite!
4) Mas e grafite profissional mesmo, vc chegou a fazer? Diretamente não. Como eu disse o grafite só amadureceu no ABC mesmo nos anos 90. Aí eu já tava na faculdade e trabalhava que nem doido. Mas nessa época a Prefeitura de Santo André já era do PT, que sempre promoveu a cultura e incentivou muito o grafite lá. Eu trabalhei na Prefeitura e fiz muitos desenhos para campanhas educativas que eram grafitados por profissionais do Grafite. Também fiz desenhos para empresas que foram, da mesma maneira, executados na parede por outros profissionais (veja fotos). Mas apesar de eu não mexer diretamente com essa arte apoio totalmente a profissionalização desse artistas populares que estão ai pra embelezar a cidade, ao contrário dos pichadores que são meros vândalos emporcalhando as ruas.
5) E com o Hip-Hop, vc tem alguma ligação? De forma direta também não. Quando eu era moleque nem se falava em Hip Hop no Brasil, então eu fiz minha cabeça com o Punk e o Rockn’Roll, que são o que tem mais a ver comigo. Mas eu respeito o Hip-Hop e o Rap, que são expressões legítimas de boa parte da juventude carente, é a voz da parcela mais sofrida e marginalizada da moçada brasileira. O Rap revelou artistas excelentes como Racionais, Thaíde e outros. Eu acho o povo brasileiro o mais criativo do mundo porque ele consegue pegar uma música estrangeira, o rap, o reggae, o rock, e adaptá-lo pra realidade nacional, com sabor brasileiro. É um sincretismo cultural sem igual no mundo!
6) E por último, vc está lançando o livro “Roko-Loko e Adrina-Lina“ pela Ópera Graphica. É um livro de quadrinhos sobre rock, não é? Pode crer! Além de trabalhar pro movimento sindical eu desenho pra várias revistas de rock, como Rock Brigade, Roadie Crew, Dynamite e Metalhead (da Escala). E estou lançando um livro coletânea dos meus personagens que saem na Rock Brigade. Público esses personagens há sete anos e são uns quadrinhos cheios de humor, rock e atitude. É pra fazer pensar e rir sem parar! E o preço é bem popular pra galera não chiar (risos)!
7) Um recado final pra galera. A gente tá vivendo uma época dura com muita moçada caindo na droga e na violência. Você que é artista do Hip-Hop, do Grafite, tem o compromisso de abrir o olho da moçada carente, de alertar e tentar desviar a galera do caminho ruim. Hip-Hop é senso crítico e lucidez! O Brasil tem tudo pra ser o melhor país do mundo, com justiça social e igualdade, e o Hip-Hop nao só pode como deve ajudar a alcançar esse sonho! Que Deus ilumine a galera! Valeu!!!
<
início >
Metalhead: MARCIO BARALDI: O CARTUNISTA MAIS ROCK’N’ROLL DO MUNDO
Você, leitor roqueiro, já conhece muito bem o cartunista Marcio Baraldi. Ele está presente na maioria das revistas de rock brasileiras (e agora em duas no exterior também) fazendo cartuns com bandas como só ele sabe fazer. Aqui mesmo na Metalhead vc confere há sete anos a seção “Humortifero” onde Baraldi deita e rola. Pois Baraldi acaba de lançar o livro “Roko-Loko e Adrina-Lina“, o primeiro livro de quadrinhos 100% rock’n’roll do Brasil. Confira nosso papo exclusivo com o Baraldão, o homem com o rock na ponta do lápis!
1 - Afinal, quando vc começou a fazer cartuns de rock? Eu desenho desde moleque, aí quando eu tinha 11 anos ouvi “We will rock you“ do Queen, no rádio e aquilo me deixou inflamado (risos), corri comprar o compacto, foi meu primeiro disco de rock e comecei a desenhar o Queen sem parar. Logo depois descobri o Kiss e foi a mesma coisa. Eu gostava de alternar os estilos, desenhava uns mais em estilo super-herói, outros fazia piadas com os grupos. Enchi cadernos com esses desenhos do Queen e Kiss, essas bandas tinham im visual muito forte e eram um prato cheio pra um moleque roqueiro e desenhista (risos)!
2 - Mas ainda não era nada profissional, né? Não, eu era moleque e desenhava de tesão mesmo.Entrei na profissão com 16 anos fazendo charge politíca no movimento Sindical. Mas paralelamente eu fazia meus desenhos de rock, fazia fanzines, grafitava, tocava em bandas. Até que em janeiro de 1996 criei o Roko e a Adrina pra Rock Brigade e aí não parei mais de desenhar pro público roqueiro.
3 - Você tocou em banda também? O que vc tocava? Eu toquei na banda “Ecos Urbanos“, do ABC, que era de pós-punk, toquei tambem com o grande quadrinhista underground Marcatti na “Cachorro Magro”, uma banda de blues, e toquei um pouco no “Libertação Radical”, uma das melhores e mais importantes bandas punks do ABC, nos anos 80. Em todas eu tocava baixo e compunha.
4 - E Vc nao toca mais? Por que parou, parou por que (risos)? Parei pelo velho problema de sempre. Pra viver de música vc tem que ter um esquema profissional, eu não era nada profissa, não ganhei grana nenhuma com banda. Então, chegou uma hora que eu entrei na faculdade e me dediquei só ao desenho. Hoje eu componho e gravo só pra mim, nem me atrevo a pegar um instrumento em público pra não causar um distúrbio civil (risos)!
5 - Mas, voltando ao Roko-Loko, ele foi sua primeira criação para o público roqueiro? Foi! Eu cheguei na Brigade na hora certa porque eles tavam mesmo querendo um personagem, já tinham tentado antes com outro profissional e não tinha dado certo. Criar o Roko não foi difícil porque ele é bastante parecido comigo mesmo. Eu queria criar um roqueiro espontâneo, atrapalhado, mas de coração bom, sem radicalismos ou aqueles tipos estereotipados. Eu pareço com o Roko, às vezes eu também sou um palhaço sangue-bom (risos)!
6 - E o público acabou se identificando com ele. Seus quadrinhos são um sucesso no meio roqueiro.É verdade, ele agradou em cheio! Já vai fazer 8 anos de publicaçao, é um marco do gênero no mundo! O publico roqueiro no Brasil sempre fioi mal tratado pela grande midia, se aparece um roqueiro na novela é sempre um retardado, um bobalhao estereotipado.A grande midia é preconceituosa com os roqueiros e sempre quis vender modismos para a juventude, e roqueiro nao segue moda, só o coração. Eu sempre misturei politica com rock e inventei meu proprio estilo, porque rock é atitude mesmo, no palco ou no quadrinho!
7 - Você tocou num ponto forte. Uma das características do seu trabalho é que mesmo sendo de rock há conteúdo e atitude nele. Você consegue ir muito além do esperado, da simples piada. Isso se chama respeito pelo público e por mim mesmo! Eu faço um trabalho positivo porque acredito num ser humano e num mundo melhores. Nunca fui desses caras rabujentos que acham que o mundo está perdido, que o Brasil não tem jeito, que o ser humano não presta! As pessoas precisam, entre outras coisas, de educação e cultura pra evoluir e a imprensa, a mídia, tem responsabilidade nesse processo de evolução. Por isso que mesmo numa revista de rock, erótica ou infantil eu faço um humor humanista, que dê valor ao ser humano. Sei que muitos orgãos de imprensa querem mais é alienar as pessoas mas estou do lado dos rebeldes (risos)!..
8 - Rebeldes internacionais, porque ce tá publicando em revistas do exterior também, né? Pode crer! A revista “Blast!”, de Portugal e a ”Headbanger Magazine “, do Equador, me chamaram pra desenhar pra eles também, porque lá fora não tem um cartunista com um trabalho rocker como o meu! Meu trabalho, modéstia a parte, é vanguarda mundial! Quando eu morrer é que voces vão ver a falta que eu vou fazer (risos)!
9 - Que esse dia esteja muuuuuuito longe! Amém (risos)!
<
início >
Metalhead Tatoo: MARCIO BARALDI: O CAR-“TATTOO”-NISTA
Se voce curte tatuagem (e se não curtisse não estaria lendo essa revista, oras!) com certeza conhece o Marcio Baraldi. Ele é o criador do primeiro personagem tatuador dos quadrinhos brasileiros: o Tattoo Zinho, que é publicado todo mês aqui na sua Metalhead-Tattoo. Um personagem, inclusive, que já virou referência nacional. Visite qualquer tatuador do Oiapoque ao Chuí e vc vai encontrar as páginas do Tattoo Zinho coladas nas paredes de seus estúdios. Como se não bastasse, o Baraldi também desenha para a maioria das revistas de rock do país, como Metalhead, Rock Brigade, Roadie Crew e Dynamite, sendo com certeza o cartunista mais rockn’roll do lado de baixo do Equador (e do de cima também)! Pois com tanta produção roqueira, Baraldi resolveu reunir uma parte dela e lançar o livro “Roko-Loko e Adrina-Lina“, só de quadrinhos – rockn’roll. Confira abaixo um bate-papo com este pioneiro dos cartuns de rock e tatuagem:
1) O Tattoo Zinho é um sucesso entre os tatuadores. Ele é o primeiro personagem do gênero no Brasil? Acredito que sim, eu pelo menos nunca vi nenhum antes dele e olha que eu leio quadrinho pra cacete (risos)! Na verdade a própria tatuagem era uma coisa meio abandonada pela mídia no Brasil. Meio mal-vista até alguns anos atrás. Até que surgiu a revista Metalhead-Tattoo, na metade dos anos 90. A Tattoo foi a primeira revista de tatuagem do Brasil e a que implantou uma imprensa voltada para a difusão e profissionalização da tatuagem no país. O César Nemitz (editor da Tatoo), com a cara e a coragem, sacou antes de todo mundo, que uma revista como essa fazia falta no Brasil e decidiu apostar nesse mercado, inaugurando-o. E deu super certo, tanto que hoje já há outras revistas nesse segmento.
2) E foi a Metalhead-Tattoo que te encomendou o personagem? Exato! O César já fazia a Metalhead, que é uma revista de rock, e eu fazia uma página de humor lá pra ele, a “Humortífero”. Aí quando ele lançou a Tattoo, chegou pra mim e disse: “— Cara, precisamos de um personagem tatuador! Você tem duas horas pra criar um!” (risos). Aí eu criei o Tattoo Zinho rapidinho e ele pegou superbem, já estou fazendo ele há sete anos e ele já é conhecido no país inteiro!
3) Voce tem algum retorno dos leitores? Sim, as pessoas mandam e-mails elogiando ou dando idéias pra piadas. Tenho também retorno dos amigos e conhecidos. Por exemplo, minha mina foi com a família dela pra Natal, no Rio Grande do Norte, e fez uma tatuagem de henna. Chegando lá o cara tinha páginas do Tattoo Zinho coladas pelo estúdio inteiro, aí ela falou que era minha namorada e o cara pirou: ”—Não?!? Jura que voce conhece esse cara?!?” (risos). Esse tipo de coisa é muito recompensador.
4) Vc acha que o Tattoo Zinho valoriza os tatuadores e ajuda a diminuir o preconceito com as tatuagens? Acredito que tanto a revista como o personagem ajudam muito nesse sentido. Tatuador era uma profissão meio marginalizada no Brasil. De repente surge uma revista e um personagem que os representa, os valoriza, que trabalham pra que a profissão seja cada vez mais respeitada. A Metalhead-Tattoo deu um golpe mortal no preconceito e trouxe outro status pra tatuagem no país. Hoje a tatuagem é vista como uma coisa charmosa, moderna, saudável. E a função do Tattoo Zinho é retratar esse universo com graça e ajudar na consolidação dessa nova mentalidade .
5) E por falar em nova mentalidade, você está lançando um livro de quadrinhos roqueiros, não é? Isso mesmo! É uma coletânea dos meus personagens Roko-Loko e Adrina-Lina, que eu faço há 7 anos na revista Rock Brigade.Tá saindo pela editora Ópera Graphica e é um livro todo em quadrinhos que mistura rockn’roll, atitude e muito bom-humor. O Roko-Loko é o personagem roqueiro mais famoso do Brasil e a roqueirada curte muito ele e as trapalhadas dele. Tô até bolando uma história em que ele vai fazer uma tatuagem lá no estúdio do Tattoo Zinho, vai ficar um sarro! Modéstia a parte, o livro tá demais (risos). Tem até comentários honrosos de músicos do Angra, Shaman, Made in Brazil, entre outros. Não deixe de ter o seu!!! E aguarde que mais pra frente eu lanço um do Tattoo Zinho também!
6) Um recado final pra galera. Acabou o tempo em que tatuagem era mal-vista! Tattoo agora é arte, vida, sinônimo de gente bonita! Mas se vc for fazer uma tattoo, lembre-se: faça num estúdio com higiene e segurança! E toda força pra categoria dos tatuadores, que a tatuagem brasuca já tá entre as melhores do mundo! Valeu!!!
UMA HILÁRIA MISTURA DE ROCK E QUADRINHOS “Roko-Loko e Adrina-Lina”, é uma coletãnea com as 36 primeiras histórias, mais as 32 primeiras tiras dos personagens criados por Baraldi para a revista Rock Brigade. São 48 páginas coloridas com histórias hilárias e criativas do casalzinho mais rock’n’roll do Brasil às voltas com bandas de verdade como Metallica, Black Sabbath e Kiss, entre outras. Muitas trapalhadas e risadas garantidas no humor inteligente e criativo do Baraldi. Lançado pela Editora Opera Graphica, o livro pode ser encontrado nas melhores livrarias do Brasil ou pelo e-mail mbaraldi@spbancarios.com.br, direto com o Baraldi que te manda o livro autografado! Não perca esse lançamento histórico e pioneiro!
PROMOÇÃO METALHEAD-TATTO- CONCORRA A UM LIVRO DO BARALDI: Escreva pra revista Metalhead-Tatoo e responda :-“Qual é a primeira revista de Tatuagem do Brasil?” As cartas concorrerão a cinco livros do Baraldi autografados e com um cartum exclusivo pra vc! Não perca tempo, escreva já e boa sorte!!!
<
início >
Rock Brigade: MÁRCIO BARALDI; UM CARTUNISTA DU CARVALHO!
1 - Quando exatamente você começou a publicar seus desenhos na Rock Brigade? Foi exatamente em janeiro de 96 que eu invadi a redação da Brigade com várias HQs de rock debaixo do braço. A que tinha o Roko-Loko (na época ainda sem nome) agradou em cheio e no mês seguinte já tava publicada!
2 - O que o motivou a lançar o livro do Roko-Loko? Depois de quase 8 anos publicando o Roko sem parar e recebendo carta e email de monte, saquei que era hora de reunir as HQs dele num livro pra perpetuar o Roko. Pra colocar o Baraldi na estante ao lado do Marx, Proudhon, Freud, etc (risos).
3 - O livro foi resenhado em muitas revistas e jornais do país. Como foi a repercussão em termos de mídia? Tá excelente! Saiu de norte a sul do país, em uma pá de jornais e revistas, além de um monte de sites. E agora tô indo em programas de rádio e TV divulgar também.
4 - Mesmo revistas que poderiam ser consideradas “concorrentes” resenharam o lançamento do livro? Resenharam na boa e eu fico superfeliz com isso! Sinal que todo mundo reconhece meu esforço e profissionalismo nesses 8 anos construindo um “humor-rock” legítimo no país! E que o Roko e Adrina são os personagens roqueiros mais queridos do Brasil!
5 - E a repercussão de público? Anda vendendo bem? Soubemos que teve até pedidos de outros países (Japão)... Excelente tambem! Tô recebendo email de tudo quanto é Estado, mandei o livro pra Portugal, Equador, e de fato, até do Japão chegou pedido. De uns malucos brasileiros morando lá.
6 - Até os cartunistas Laerte e Marcatti conheceram o trabalho. Como foi isso? Pois é! Eu nem conhecia o Laerte pessoalmente, mas sempre gostei do trabalho dele e mandei um livro pra ele. E ele adorou e foi muito simpático. Já o Marcatti é “broder “ véio meu e foi no lançamento com a família toda, os 15 filhos (risos)...
7 - Como foi o coquetel de lançamento do livro, em SP? Foi dia 28/6 na livraria Comix, especializada em quadrinhos. Foi um sucesso, compareceram 300 pessoas e autografei 120 livros. Foi o recorde da livraria! E ainda apareceram as bandas Harppia, Velhas Virgens, Máxima Culpa...
8 - Com essa boa repercussão toda, você pensa num possível Volume 2 para o futuro? O meu tio Toninho já andou me cobrando um segundo volume (risos). Mas vou soltar o n° 2 só no ano que vem, este ano vou divulgar o 1º volume até esgotar.
9 - Agora, vamos falar um pouco de você. Com que idade você começou a desenhar e quando isso se juntou com sua paixão pelo rock? Eu já nasci desenhando, sempre rabisquei tudo! Aí, aos 11 naos, descobri o rock, com “ We will rock you“ do Queen, e logo depois descobri o Kiss. Aí comecei a desenhar essas bandas obcecadamente (veja abaixo um desenho dessa época) e nunca mais parei de misturar rock com quadrinhos.
10 - O início da publicação de seu trabalho na Rock Brigade foi citado até em artigos sobre a história dos quadrinhos no Brasil. Qual a importância desse início de trabalho na Rock Brigade em seu trabalho? O pessoal da editora Opera Graphica publicou um artigo considerando o Roko um dos personagens importantes da HQ Nacional.Por isso que eu acabei fazendo o livro com eles tambem. De fato, criar o Roko pra Brigade foi muito importante pra mim porque ele acabou se tornando meu personagem mais conhecido e ao msemo tempo eu acabei criando um “humor-rock” no Brasil. Aliás, não só no Brasil, por que se vc procurar em revistas de rock do mundo inteiro não vai achar nada parecido com o Roko! Ele é 100% original e brasileiro!
11 - Qual história do Roko-Loko teve mais repercussão até hoje? Eu adoro todas as histórias e recebo email direto, mas as campeãs de emails e comentários do público foram as “Ghost’n’ Roll“, onde o Raulzito leva o Roko pra assistir um show no céu, e a “O sonho não acabou!”, uma hq pel paz baseada na musica de John Lennon. A homenagem à Joey Ramone tambem lotou minha caixa postal!
12 - Teve algum que obteve repercussão negativa? Até hoje não! Espero que continue assim (risos)!
13 - Algum site ou e-mail em que os leitores possam conhecer melhor seu trabalho? Eu tô numa pá de sites, alem do da Brigade: www.whiplash.net, www.mundorock.net, www.dynamite.net, metalbrasil, e muitos outros. E prometo pra breve um site só meu, bem caprichado!Aguardem que, como diria o Roko-Loko, vai ser “DU CARVALHO“!!! (risos)
<
início >
Jornal do Judiciário: ENTREVISTA COM O CHARGISTA MÁRCIO BARALDI
O chargista Márcio Baraldi, lançou em abril – durante a 17ª Bienal do Livro – os livros “Moro num país tropicaos” e “Todas as cores do humor”. O primeiro é uma coletânea de charges sobre o governo FHC, no qual a política neoliberal, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a questão agrária, o preconceito racial, social e sexual são tratados com críticas pra lá de ácidas. Para Ziraldo, que escreveu um dos prefácios de “país tropicaos”, as charges de Baraldi “quando tocam de leve o alvo, deixam a vítima pronta para ir pra UTI”. Os livros podem ser encontrados em livrarias ou pelos e-mails pbrasil@uol.com.br (o Tropicaos) e gls@edgls.com.br (o Todas as cores).
Quanto tempo você levou para produzir os dois livros? Baraldi – Os dois livros juntos, levaram mais ou menos uns nove meses para sair. Foi um parto. Eles só saíram porque eu estava com férias atrasadas no Sindicato dos Bancários e tirei essas férias e passei um mês em casa, fazendo os dois livros. Na verdade, principalmente o “Tropicaos”, o pessoal já estava me cobrando há tempos. Queriam um livro de charges do governo e eu nunca tinha tempo para fazer. Aí aproveite a cobrança que tinha também para fazer o outro, que é de uma editora para a qual eu presto serviços e que tem vários selos – de negros, mulheres, gls – e fiz os dois.
Como você começou a fazer charges e a atuar profissionalmente nessa área? Eu já nasci desenhando. Sou daqueles moleques que desde pirralho ficava infernizando a minha mãe. Desenhava na toalha, na parede, pegava tijolo e desenhava na parede. Não parava quieto. Era muito espevitado. Brincava de tudo, jogava bola, quebrava tudo, era bem bagunceiro... Os vizinhos viviam enchendo o saco na minha casa. Mas, por outro lado, tinha esse papo de, quando davam um papel na minha mão eu me acalmava. Então o pessoal lá em casa começou a ver isso: ‘dá uma pilha de papel pra esse moleque ficar quieto’. E comprava um monte de canetinhas daquelas silverpen ‘pra acalmar o Marcinho’. E eu ficava sossegado. Outra coisa que eu adorava eram os gibis. Até hoje eu tenho uma pilha em casa daquela época. Sempre tive vocação para o desenho e paixão pelos quadrinhos. Tá no sangue! Depois, meu pai é metalúrgico e nós [minha família] somos do ABC – eu sou um produto típico do ABC, e aí eu comecei a trabalhar no Sindicato dos Químicos. Eles me chamaram pra trabalhar lá, para ilustrar um jornalzinho. Isso foi em 83, eu era moleque, tinha 16 anos. E isso pegou na veia. O PT tinha acabado de nascer, tinha acabado de rolar aquelas greves históricas lá do ABC e aquilo me influenciou imensamente. Na época eu estudava numa ETI [Escola Técnica Industrial] lá em São Bernardo, ou seja eu estava mergulhado naquele clima operário até o pescoço. E quando eu entrei no sindicato, falei ‘é isso mesmo’. Aí comecei a juntar a política com o humor, ler Henfil – que também em influenciou muito. Daí, não parei nunca mais.
Você hoje trabalha em quantos sindicatos? Nos Bancários estou fazendo 11 anos e continuo nos Químicos do ABC, onde estou fazendo 20 anos agora. Presto serviços aqui para o Sintrajud, para os Metroviávios, os Bancários do ABC, a Apeoesp, o Sindicato dos Psicólogos, Sindsaúde, Médicos. Também abri trabalho em outros veículos, até para não ficar meio viciado. Faço muitas charges para revistas de rock, etc. Sempre em órgãos que respeitam a minha linha política. Quando as pessoas identificam a minha linha e dizem ‘é legal, Márcio, pode ser por aí’ tudo certo. Tem outros lugares, onde a linha é muito fechada, muito conservadora, aí é problema. Eu não me encaixo muito. Até revista erótica eu faço, desde que me deixem à vontade e que eu possa falar de tudo. Por exemplo, uma vez quando afundou a plataforma da Petrobras eu coloquei o tema numa historinha erótica (risos). Acredite se quiser. Era uma coisa meio assim: a menina mergulhava no oceano e encontrava o Namor – que era um homem submarino –. No meio do namoro, ele falava para a menina ‘agora vou te mostrar uma coisa supertriste’ e levava a menina para ver a plataforma. Aí ele falava pra ela: ‘Isso aqui é culpa daquele povo da superfície, que não sabe votar direito, e tal e tal’. E assim vai, com imaginação, você mistura uma coisa com a outra (risos). Quando teve o apagão também. Eu fiz uma história erótica que era um sarro. O casal estava lá namorando e, de repente, apagava a luz. Aí chegava um cara lá, um burocrata do Fernando Henrique e ficava segurando uma vela para o casal. Aí o casal perguntava: ‘Que é que você está fazendo aqui?’ e o cara respondia: ‘É que eu sou do Ministério do Apagão, minha obrigação é ficar aqui segurando vela pra vocês.’ E faz o maior sucesso, as pessoas gostam quando você respeita a inteligência delas.
O livro sobre a questão GLS saiu a pedido de algum setor do movimento GLS? A editora é independente, não tem vínculo com nenhuma ONG, partido ou movimento em si. Mas, a dona da editora, Laura Bacellar, que é lésbica e uma mulher maravilhosa, uma superjornalista e editora, gostou da minha linha de trabalho. O que ela gostou no meu trabalho tem haver com o fato de eu ter vindo do movimento sindical, ter aprendido a fazer um humor politicamente correto, mas também sem ser aquela coisa panfletária que não tem graça. Até então não tinha nenhum livro assim no Brasil. Tinha aquelas coisas tipo ‘piada de bicha’, da ‘bichinha que vai na padaria comprar um salame’ ou da ‘da loira que é sempre a burra’ ou do “caixão de preto’, etc. Eu nem critico quem faz isso, cada um faz o humor que quer, mas para mim não dá. Sou criado na imprensa sindical e trabalho com isso há 20 anos. Não dá para fazer um negócio desses. Não gosto de estereótipos. É uma editora independente, mas que segue um filosofia de esquerda, faz livros que resgatam a auto-estima desse público específico. Ela já estava cansada de ver livros que tratam essas pessoas como coitadas. Aquelas coisas da ‘mina’ que se descobriu lésbica e que, por isso, tinha que viver com esse ‘martírio’ para o resto da vida dela. Então, ela [a editora] viajou para o exterior e conheceu outras editoras que trabalhavam nessa linha humanista. Fundou uma editora e, depois, nós nos conhecemos e ficamos parceiros. Ela tem uma linha bem progressista para a sociedade como um todo, é uma pessoa de esquerda, que vota no PT e a gente combinou superbem por causa disso.
Você já fez ou pretende fazer outros trabalhos nessa área? Já ilustrei uma pá de livros de outros autores e também o site da editora, que é bem bacana. Tem até uma seção de humor no site. Agora, saiu esse livro, que é meu mesmo.
Como você vê a produção de charges no Brasil hoje? Eu nem fico muito à vontade de ficar comentando o trabalho dos outros chargistas, porque a charge é uma coisa muito pessoal, depende muito da formação de cada um. É como música. Você dá um violão na mão de dez caras diferentes, cada um vai tocar uma coisa. Eu acho que, logicamente, a princípio, as charges têm sempre que ser politizadas, mas você vê tudo quanto é tipo de charges por aí: das ingênuas às reaças, mas não gosto de citar nomes até porque são colegas. Também depende muito do veículo em que o cara está. Eu conheço caras que trabalharam em jornais grandes e tiveram charges censuradas, sem conversa e ponto final.
Exato. Hoje são poucos os chargistas que conseguem furar esse bloqueio, não é verdade?É são poucos. De fato, tem alguns chargistas que têm mais liberdade pelo tempo todo que têm de estrada e pela credibilidade que conseguiram conquistar, o que certamente não foi uma coisa fácil. O Angeli, por exemplo, acho que é um cara que desfruta disso na Folha de São Paulo. Porque a gente sabe que na Folha, quando o Covas estava vivo, por exemplo, era meio proibido bater no Covas. Assim como, quando o Diário Popular era do Quércia, era proibido bater no Quércia. Muitas vezes o cara é obrigado a se encaixar nos limites de um jornal grande. Por isso, eu particularmente – sem criticar quem está nos grandes jornais – sempre me identifiquei muito com a imprensa sindical e estou nela a vida inteira. Procurei outros veículos, coisas de banca, mas sempre com empresas que respeitam a minha linha.
Fazer charge política no Brasil é fácil, com os políticos que a gente tem? Em termos de inspiração é ótimo. Tem políticos folclóricos, como Antônio Carlos Magalhães. Tem um tipo de político, que ainda existe no Brasil, e que são um prato cheio para nós como o Maluf, esses dinossauros que têm uma política completamente ultrapassada, pré-histórica mesmo. Esses caras fornecem muito matéria-prima para a gente. Não é muito fácil viver só disso, porque você tem que procurar mil frilas, trabalhar que nem um doido, e tal. Esse é o lado meio duro da coisa. Mas é uma profissão bem assim: a gente sofre, mas se diverte.
Entrevista realizada por Luciana Araújo para o Jornal do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário em setembro de 2002
<
início >
Paixão pela Imprensa Sindical: ENTREVISTA COM MÁRCIO BARALDI
Márcio Baraldi é um desses jornalistas que tiveram o coração fisgado pela luta dos trabalhadores. Chega a confessar que, se depender dele, não deixa a imprensa sindical jamais. Esse amor nasceu aqui, no Sindicato dos Químicos do ABC, há exatos 20 anos Por Gislene Madarazo
Para homenagear este nosso companheiro de trabalho, pensamos, nada melhor do que uma entrevista. Que nada! Márcio é daquelas pessoas que precisam ser vistas. A riqueza da sua comunicação não está só nas palavras emitidas, mas nos gestos, nas interlocuções, na força da sua imagem... tal qual seus cartuns. Por isso, leitor e leitora, solte a sua imaginação e conheça um pouco mais da história do nosso Sindicato neste papo descontraído com o nosso irreverente cartunista
Como você veio parar no Sindicato? Eu vim no início de 83 para trabalhar, mas nasci e moro aqui perto e tenho até uma relação muito interessante com este Sindicato. Eu brinquei muito aqui quando era criança. Onde hoje tem o estacionamento, antigamente era tudo aberto, sem portão nem grades, e nos fins de semana durante o dia a molecada jogava bola, à noite isso aqui era um motel – os casais vinham e só se via os carros balançando (risos). Eu jogava bola direto aqui. Como naquela época era um sindicato pelego, não tinha mobilização nenhuma, nunca tinha assembléia, mas, em compensação, tinha baile e festa todo o fim de semana.
Festas da categoria química? Não, o sindicato alugava o espaço, como um salão comercial. Naquele tempo o sindicato era como uma associação dessas para se jogar dama, não tinha nada de política. A gente, com 12 ,13 anos, entrava de bicão nessas festas nos fim de semana(risos).
Você entrou aqui quando a oposição venceu as eleições? É, por uma coisa de destino. Teve aquelas greves históricas em 79, 80 e 81 em São Bernardo, aí começou a pegar fogo o sindicalismo na região Eu estudava em São Bernardo e vi tudo aquilo acontecer. E aí no meio daquela geração tinha um pessoal químico, que era o Agenor Narciso, o Remigio Todeschini, o Drumond, o Edilmo, o Felipe e mais uma turma. Essa turma mobilizou a categoria e no final de 82 conseguiu pôr os pelegos para fora. A oposição pegou o Sindicato falido, não tinha política, não tinha trabalho de base, e aí os novos diretores resolveram criar um departamento de imprensa.
Os pelegos não tinham jornal? Tinham um jornal que saia a cada três meses e que eles soltavam só pra dizer que tinham. Era um tablóide, em papel jornal, chamava SINDIQUIM já. Sabe o que tinha no jornal? Receita de bolo, coluna social – coisas como a filha de fulano acabou de completar 15 anos e a festa de debutante foi lindíssima, era assim. Não tinha nada. Era totalmente pelego, uma coisa social, um jornal de futilidades.
Você veio, então, para montar esse departamento de imprensa? Sim, o redator era meu irmão. Ele era jornalista e trabalhou para a oposição. Quando ela ganhou, ele foi chamado para montar o departamento, nessa eu vim também.
Como funcionava a imprensa do Sindicato nessa época? O departamento era uma salinha, não tinha máquina de escrever, computador, não tinha nada. Era o redator e eu, que montava o jornal, colava, desenhava, fazia os títulos à mão. Era tudo no sangue, suor e lágrimas mesmo.
Este foi o seu primeiro emprego? Eu comecei a trabalhar com 11 anos de idade, numa função extraordinária em um Clube de Alemães aqui na Vila Bastos, que tinha um boliche. Hoje os boliches são todos automáticos, aperta um botão e todos os pinos já levantam, mas antigamente não. Eu então estava capacitado profissional para arrumar os pinos e devolver a bola para os caras. Depois eu trabalhei numa lavanderia na rua Catequese, como entregador de roupa. E aí descobri, olha que loucura, que o primeiro empreguinho do Lula foi numa tinturaria, também de entregador de roupa. Não é legal?! Não é bonito?! Tem um monte de coisas que eu gosto de contar, que eu acho legal.
Você também fez Senai? SENAI eu não fiz, fiz a ETE. Quando eu tava aqui eu já tinha entrado na ETE Lauro Gomes, em São Bernardo, um tipo de SENAI de 2º Grau, que formava os profissionais para trabalhar naquele imenso pólo industrial que era o ABC naquela época. Me formei em desenhista projetista. Quando eu estava lá, em 81, estourou a última das greves históricas e eu me lembro do tumulto que ficou em São Bernardo. Aquilo me marcou muito e aí logo depois eu entraria no Sindicato dos Químicos. Então, foi tudo ao mesmo tempo.
Esse contato mais próximo com a política se deu nos Químicos...É, se deu aqui. Eu vi as greves estourando e aqui comecei a entender toda a situação e me identifiquei totalmente com aquele movimento. Tinha um clima muito forte no ar na época, era um momento histórico mesmo. O movimento sindical estava forçando a ditadura a acabar. Eu lembro que fiz charge do Figueiredo, depois, na seqüência, fiz muita charge do colégio eleitoral, do Sarney, depois Collor, Itamar. No governo Collor eu já tinha ido para o Sindicato dos Bancários de São Paulo também, como hoje, estou nos dois. Fiz 20 anos agora aqui e doze lá.
Você tem os primeiros cartuns que você desenhou para o Sindicato? Tenho, mas são horríveis, são vergonhosos, mas eu gosto.
Nessa trajetória, qual foi o momento que mais importante para você? Não vale falar da eleição do Lula, que é um marco histórico para todo o movimento sindical... O que foi bonito mesmo foi ter participado da montagem do departamento de imprensa aqui no Sindicato. Quando eu cheguei não tinha nada. Os pelegos deixaram o sindicato falido. Começar do zero foi legal, ter visto aquelas lideranças bacanas se formando, o Remi, por exemplo, estava começando a carreira dele e hoje é um grande sindicalista
Que, inclusive, integra o governo Lula É, tá vendo?! É um grande nome. O Remi foi um cara que entrou aqui, montou o Departamento de Saúde e aquilo, sabe, cresceu num minuto. O Remi era um cara assim, que acreditava. Ele trabalhava de segunda a segunda, “25” horas por dia. Você não conseguia parar o Remi, parecia um andróide, trabalhava, trabalhava, que nem um doido. Foi legal ter visto essa geração e ter crescido junto com ela.
Foi fácil adaptar seus cartuns para uma linguagem que os trabalhadores entendessem imediatamente a mensagem? Não foi difícil. Em primeiro lugar, eu nunca fui intelectual. Nunca tive um trabalho enjoado, elitizado, daqueles que só uns poucos entendem. Sempre consegui falar com todos na boa, sem problema nenhum. Sempre tive uma linguagem popular. E como meu pai era metalúrgico foi fácil fazer um perfil da categoria. A vida de pião para mim era muito natural. E logo começou a chegar o retorno. Os diretores me falavam: o pessoal adorou aquela tira, faz mais daquilo.
Até hoje ainda fazem esses comentários aqui no Sindicato... O que eles gostam são as denúncias dos chefes. Quando você fala do chefe eles adoram, dão risada. Eles se sentem vingados, por causa de toda a opressão.
Fale de algumas campanhas e personagens que você criou para o Sindiquim... Lembro de uma campanha que era muito legal: “Horas extras matam e brocham”. Na época, os trabalhadores faziam muita hora extra. Eu cansei de fazer tiras tipo o cara que trabalhava muito e quando chegava em casa os filhos não o reconheciam e perguntavam: “Quem é você?”(risos). Em 86, eu criei o Caveirinha, simbolizando a insalubridade, a categoria química sempre teve muito esse problema. Lembro que, logo que entrei, a gente conseguiu fechar a Matarazzo, em São Caetano. Tinha umas pilhas gigantescas de enxofre, e os caras iam metendo a mão ali, toda a vizinhança implorava para fechar a fábrica, todo mundo sofria só de respirar aquele ar, imagina os caras que trabalhavam lá. Nos anos 70, a pelegada nunca se importou com isso. Logo que a oposição ganhou, esse foi um dos grandes pepinos para resolver. A fábrica já estava praticamente falida, então o jeito foi fechar logo aquela porcaria porque estava matando gente adoidado. Dava pena!
Você chegou a ver isso? É, fui lá, aproveitei um dia que a “tropa” toda do sindicato foi. Naquela época eu ia em muita greve também, adorava ir. Olhava, conversava com a galera, pegava idéia. Teve uma coisa que foi genial. Eu fui numa negociação com a FIESP, foi demais!
Numa negociação salarial? Sim, deixaram eu entrar. A galera toda foi e eu fui na cola deles. Lá na FIESP, na Paulista. Entrei na sala com aquela “mesona”, o sindicato de um lado, o presidente da FIESP da parte química e os patrões do outro, parecia um ringue, o clima era de guerra. Os patrões se retiravam toda hora pra conchavar... era um sarro (risos). Fiquei escondidinho no fundo da sala só fazendo as caretas dos caras. Quando voltei para o sindicato, fiz uma historinha de página inteira, eu tenho isso até hoje.
E a origem do Caveirinha? Eu me inspirei num caso real – o patrão mandou o cara limpar uma dessas caldeiras, o cara ficou limpando lá dentro e não saía mais. Quando foram olhar, ele tinha morrido de tanto respirar o ar impregnado de produto químico. O caveira foi inspirado nesse caso. O trabalhador morre por causa da insalubridade e aí o espírito dele surge onde há risco para outros trabalhadores, uma espécie de guardião. Quando ele vê um cara fazendo uma coisa insalubre, ele aparece e fala que se ele continuar fazendo aquilo daquele jeito, vai morrer.
Seu trabalho tem influência de outros profissionais? Quando entrei nos químicos, comecei acompanhar alguns caras que trabalhavam com o movimento sindical. O Henfil, que já era famoso naquela época e era tão engajado politicamente que foi para as greves de São Bernardo, se apaixonou pelo movimento operário e ficou lá fazendo desenhos. Outro foi o Julinho de Grammont, que também tinha uma carreira na grande imprensa e foi para São Bernardo fazer a cobertura das greves; acabou se envolvendo com o movimento, pediu demissão e ficou trabalhando no Sindicato dos Metalúrgicos. Ele se apaixonou perdidamente pelo movimento sindical e acabou sendo um construtor desse movimento, ele é fundamental. Ele, o Henfil – os dois já falecidos – e o Laerte. Esses caras influenciaram meu trabalho sindical.
Você também se apaixonou pelo movimento sindical... Também, nunca mais parei. O Sindicato foi minha grande escola, desenvolvi minha linha de trabalho aqui e não saio da imprensa sindical por nada. Se depender de mim, morro na imprensa sindical. Mas não descartei outras imprensas, todas que aceitam a minha linha de trabalho eu tô dentro. Eu sei que um grande jornal dá mais visibilidade, mas é evidente que não há a liberdade que eu tenho aqui. Eu prefiro mil vezes trabalhar na imprensa sindical, que é onde eu me sinto bem, em que eu me vejo num trabalho muito mais libertário, progressista, corajoso do que essa imprensa que vive maquiando, manipulando, disfarçando tudo.
Como você define a sua linha de trabalho? Uma linha humanista, progressista. Que é valorizar o ser humano e não o capital, ao contrário da imprensa burguesa, que você pega essas revistas de economia e fica apavorado porque eles falam das pessoas como se fossem números. Quanto a pessoa vale, quanto ela custa. É grana, grana, grana, número, número, número!.. O meu trabalho sempre foi o contrário disso. Eu sempre tive esse engajamento, desde moleque eu tinha preocupações sociais. Então a imprensa sindical caiu como uma luva para mim. Eu poderia ter seguido a carreira de desenhista projetista, ou trabalhar em publicidade, que paga mais, mas eu não quis. Depois eu me formei em Artes Plásticas, poderia ser professor. Mas eu saquei que ser um cartunista político é que era a minha missão nessa vida!
Você já recebeu vários prêmios, quais deles você destacaria? Eu tenho umas três/quatro medalhas de Salão de Humor. Tem uma que eu gosto muito, que foi do salão de Volta Redonda, em 93, onde ganhei a medalha de Humor Popular. Nesse prêmio, era o povão que votava no cartuns que mais gostou da mostra inteira. Eu ganhei. Depois ganhei mais uns prêmios, legais também, mas depois eu fiquei uns 8 anos sem me inscrever em nada. Já o prêmio Vladimir Herzog, que recebi agora em outubro, é outro papo. É uma comissão do Sindicato dos Jornalistas que seleciona trabalhos que ela considera que realmente contribui para a construção dos direitos humanos. É uma coisa extremamente política. Salão de humor é mais estético. Esse era o prêmio que eu queria ganhar, foi muito honroso e o legal. A entrega foi no dia 25 de outubro, dois dias antes da eleição, no Parlatino, no Memorial da América latina. Aí foi todo mundo de terno, e eu fui com a camiseta do Lula e do Genoino. Catei o prêmio e fiz um discurso arrasador falando da eleição, fui super aplaudido, catei o prêmio e sai super contente. Foi perfeito, extraordinário. E agora em janeiro ganhei o troféu Angelo Agostini, o pioneiro dos quadrinhos no Brasil, lá no séc. 19. É conferido pela Associação dos Quadrinistas e Cartunistas (AQC), ganhei o prêmio como um dos cinco melhores cartunistas de 2002. São dois prêmios, um pertinho do outro, muito legal. Em 2002 também lancei dois livros, um com prefácio do Lula e do Ziraldo, que pegaram super bem. Então 2002 foi um super ano para mim.
O que você gostaria de ilustrar? Quero ilustrar assim um Brasil muito melhor do que a gente tá vivendo hoje. Eu quero que esses quatro anos de governo Lula realmente dê certo, que muita coisa mude positivamente e eu quero ter o prazer e a honra de ilustrar isso. Meu desejo é que o governo Lula consiga mudar realmente a cara do país e que eu possa estar participando como cartunista desse processo.
Em quais outras imprensas você publica o seu trabalho? Eu faço muita revista de rock, erótica, de tatuagem, de adolescente, de GLS,católica, espírita, mas em todos os assuntos eu ponho política no meio. Eu consigo fazer uma coisa erótica, mas humanizada. Não é piada trouxa, baixaria. Meu trabalho é sem preconceito, sem estereótipos. Eu provei que é possível fazer isso sem cair na mesmice. Eu acho até que tenho um trabalho aí novo, de certa forma pioneiro. Eu não vejo ninguém fazer o que eu faço do mesmo jeito que eu faço. Você tem que desnudar a questão, para fazer as pessoas discutirem e quebrar o tabu, o preconceito. Eu já fiz zilhões de cartuns pra negro, mulher, gay, índio, deficientes, idosos, nunca excluí grupo algum do meu trabalho.E me sinto feliz de saber que contribuí com todos os movimentos sociais legítimos desse país. O cartunista não pode ficar em cima do muro. Não pode ser um cara bunda mole. A charge tem que ter força. A palavra charge vem do francês, quer dizer carga, de bomba mesmo.
E você jogaria uma “charge” no governo Lula? Não. Eu acho que a imprensa sindical não precisa fazer esse jogo sujo. Acho que a grande imprensa vai fazer, já tá fazendo, um motivo a mais para que eu não faça. Não vou ser um puxa-saco, mas posso continuar colocando as questões que acredito que sejam fundamentais para a democracia do Brasil. Todos os desenhos, charges, podem servir como um barômetro para o presidente Lula, para que ele não perca o eixo diante das pressões que evidentemente vai sofrer. A gente lutou tanto para ele chegar à presidência e agora vai ficar apedrejando? Isso não tem cabimento! A gente conhece toda a história do Lula, sei que ele não é um cínico que nem o FHC que nunca esteve do lado do povo. FHC sempre comeu caviar e dizia que gostava de comer buchada de bode. O Lula não é nada disso, ele é um cara consistente. Acho que a imprensa sindical tem que servir como um leme, um corrimão para o Lula não perder a direção. A gente conhece o cara, o cara conhece a gente de tantas batalhas, ele sabe que a gente é a imprensa em que ele pode confiar. E vice-versa!
<
início >
MARCIO BARALDI: O CARTUNISTA DO METAL
Se vc fechar os olhos e pensar em cartuns de rock imediatamente vai vir à sua mente o nome de Marcio Baraldi. Porque ele é dono da maior produção de quadrinhos roqueiros do planeta e seu traço inconfundível está a oito anos nas principais revista de rock do país: Rock Brigade, Metalhead, Dynamite, Roadie Crew, Tattoo e agora, claro, a Metal Line também! Pois o metálico cartunista não pára quieto e acaba de lançar o livro “ Roko-Loko e Adrina-Lina” pela editora Opera Graphica. Confira nosso papo exclusivo com o extrovertido Baraldi:
1 - Como surgiu a idéia de criar um personagem roqueiro? Eu faço piadas com rock desde que era moleque mas ainda não tinha criado um personagem roqueiro, pra publicar mesmo. Até que em janeiro de 96 criei o Roko-Loko e Adrina-Lina pra Rock Brigade, cheguei bem na hora pois eles estavam querendo faz tempo um personagem pra revista. Já tinham tentado anteriormente, com outro profissional, mas não tinha dado certo. Criei o Roko sem muita pretensão, mas os personagens caíram rapidinho no gosto da galera e não parei mais. O público roqueiro não tinha um personagem pra se identificar e o Roko e a Adrina caíram como uma luva!
2 - E como surgiu a idéia de transformar o Roko em livro (que aliás, ficou um show!)? Como o personagem já tem quase 8 anos, achei que já era mais do que hora de juntar as histórias dele num livrão. Minha intenção é publicar toda a obra do Roko em livros, em ordem cronológica, neste primeiro volume estão as 36 primeiras HQs e as 32 primeiras tiras dos personagens. É um livro super bem acabado, caprichado mesmo, pro sujeito ler e depois guardar na estante com orgulho!
3 - Mas, cá entre nós, você é um conhecedor de rock nato ou alguém te dá um help nas histórias? Eu sou roqueiro desde os 11 anos, quando ouvi “We will rock you”, do Queen, no rádio e me converti imediatamente ao Rocknroll (risos)! Já toquei em algumas bandas de rock e sou eu que escrevo, desenho e pinto as histórias inteiras. Eu colaboro há anos com várias revistas roqueiras e leio tudo que sai, porque preciso estar bem informado sobre o mundo do rock. De vez em quando alguém me dá uma pauta ou uma sugestão de tema e eu crio encima! Mas 99% das vezes sou eu que faço tudo!
4 - E é verdade que voce está colaborando com revistas estrangeiras também? É, sim! Eu fui chamado pra colaborar na “Blast!”, de Portugal e na “Headbanger Magazine”, do Equador.Os caras me procuraram porque lá fora não tem um cartunista com um trabalho rocker como o meu, modéstia a parte meu trabalho é inovador! Eu virei o cartunista mais rock’n’roll do planeta (risos)!!! O Brasil já exportava Sepultura, Krisiun, Angra, e agora tá exportando o Baraldão também (risos)!...
5 - E por falar em Brasil, você tem um outro livro cujo prefácio é do Lula, né? Conta como foi essa história. Eu já tenho seis livros publicados, quatro de charges políticas, um de cartuns e esse do Roko-Loko. Um dos livros de charges, “Moro num país tropicaos”, lançado ano passado, tem prefácios poderosos do Ziraldo e do Lula. O livro fala da situação do Brasil durante os 8 anos desastrosos do governo FHC. Eu sou cartunista no movimento sindical desde os 16 anos e sou do ABC paulista também, por isso conheço o Lula desde que ele era líder sindical em São Bernardo. Então foi natural eu pedir um prefácio pra ele, pois ele já conhecia bem o meu trabalho, que é afinado com a esquerda e tem uma posição progressista! Eu sou um roqueiro de esquerda, eu sou o “Rage Against the Machine” dos cartuns (risos)!!!!
<
início >
MARCIO BARALDI: QUANDO A MILITÂNCIA POLÍTICA E O ROCK SE ENCONTRAM NA MESMA PRANCHETA
1 - Quem é o Marcio Baraldi (atividades, nome, idade, onde mora). O Baraldão é um puta cara legal, moreno alto, bonito e sensual, pintudão e macho pra carvalho(rs)! É um italianão sangue-bom, tem 38 anos, mora em São Paulo, mas nasceu no ABC, terra do PT e de muito RocknRoll! Bagunçou, desenhou e leu tanto gibi na infancia que acabou virando um desenhista, colecionador de gibi e bagunceiro inveterado depois de adulto. Enfim, grande sujeito esse Baraldi!!!...
2 - Como surgiu o Roko-Loko e a Adrina Lina? Surgiram em janeiro de 1996, quando fiz uma HQ sobre camisinhas musicais e ofereci pra Rock Brigade. Eles adoraram e publicaram no ato. Dai pra frente nunca mais parei e os personagens já são um sucesso absoluto entre a roqueirada há quase 9 anos! Viraram os personagens mais rocknRoll do Brasil e já estao começando a chegar em outos países tambem.
3 - Suas tiras são veiculadas em vários meios de comunicação, quais são eles? Sao tantos que nem dá pra citar todos aqui. Na área musical e do Rock eu publico nas revista Rock Brigade, Roadie Crew, Valhalla, Dynamite, Comando Rock, Metalhead, Tattoo, Rock Underground e Rock Press. Alem da Headbanger Magazine, do Equador!
4 - Como surgiram os convites para fazer parte das revistas como colunista ? A primeira revista que eu comecei foi a Rock Brigade quando ofereci meu trabalho pra eles. Depois com a boa aceitação do Roko-Loko na Brigade, começaram a surgir convites de outras revistas tambem. Uma coisa foi puxando a outra.
5 - Você pretende lançar gibis (como o turma da Mônica) somete para seus personagens? Gibis mensais não pretendo não porque eu trabalho sozinho, não tenho uma equipe nem estrutura para encarar uma empreitada grande dessa. Por hora eu vou lançando álbuns anuais com meus personagens, pra vender em livrarias ou pela internet. É a melhor opção pra mim, no momento.
6 - Além do Roko-loko e a Adrina Lina você criou mais algum personagem? Tenho mais um monte: Sabujo Vingador, Ultravesti, Super Baby, Mulher Gata, Prof. Thunderval Raios, Euriko e Ritalinda, Vapt e Vupt, Rap Dez, Maluco e Beleza, Guerrilheiro da Guitarra,Tattoo Zinho, Caveirinha, Alaôr Kaholic, Érica, a esotérica, e outros. Todos são publicados em varias revistas e jornais por aí. Todos irão se transformando em livros e ganhando mais espaço na mídia com o tempo.
7 - Como surgem as inspirações das estórias? Eu sou pago pra pensar besteira o dia inteiro(rs)! A inspiração surge de tudo: noticias nos jornais, livros, musicas, filmes, experiências pessoais ou experiências alheias, sentimentos, emoções, frustrações, enfim de todo esse monte de coisas que existe dentro da cabeça dessa criatura complexa e abençoada que é o Ser Humano.
8 - Você já foi convidado para veicular suas HQs no exterior, correto ? Como isso ocorreu? Exato. Já recebi convite do Equador, Portugal e Argentina. Hoje em dia com a Internet o mundo ficou muito menor, pessoas de qualquer país têm acesso ao seu trabalho. Daí pra entrar em contato contigo basta um click no mouse!
9 - Quais são os planos para o futuro do Marcio Baraldi e suas criações? Ficar milionário e mandar tudo à merda (gargalhadas)! O futuro à Deus pertence, então eu só peço a Deus uma vida longa, cheia de saúde, trabalho e bom-senso. Tendo isso eu prometo levar meus personagens o mais longe que eu puder. Meus referenciais de autores são Mauricio de Souza, Ziraldo e Monteiro Lobato, se eu tiver a mesma longevidade que tiveram e um décimo da genialidade e sucesso deles eu já tô feliz!
10 - Concedemos esse espaço para vc deixar sua mensagem... Muito obrigado pelo espaço maravilhoso que vcs me deram, quero convidar a todos para visitarem meu site www.marciobaraldi.com.br e deixarem um recado bacana no guest book. Quero desejar a todos muito sucesso, saúde e fé nesse país maravilhoso, único e inigualável que é o Brasil. Vamos todos trabalhar muito pra que a nossa realidade mude pra melhor e o Brasil se consolide como a Pátria do Evangelho, da fartura, da solidariedade e da mulher bonita (risos)! Há tempos nem os santos têm ao certo a medida da maldade no mundo, pois vamos fazer a nossa parte pra combater essa maldade, com uma juventude e uma população conscientes, politizadas, ativistas, determinadas e criativas. Chega de Bush! Chega de guerras! Chega de Imperialimo norte-americano e FMI! Chega da invasão da Palestina! Chega de boicote à Cuba! Chega de uma minoria estúpida agredindo, explorando e destruindo a maioria pacífica! Toda miséria, sofrimento e desigualdade social desse planeta são de origens politicas. Há terra e comida suficiente pra todos, ninguém deveria estar passando fome, bastaria que a terra e a comida fossem melhor divididas! Vamos assumir esse compromisso por um mundo em que o pão seja melhor dividido. É isso que realmente importa, é isso que realmente falta pra gente ser feliz! O resto é detalhe... Abraço a todos !!!
<
início >
MARCIO BARALDI: CABEÇA NO MUNDO E RAÍZES NO ABC
Por Luciano Alemão
1-Fale sobre este segundo livro do Roko-Loko, em comparação ao primeiro. Este novo livro do Roko nasceu por causa do sucesso do primeiro, lançado ano passado, que foi muito bem recebido e vendeu muito bem.E este ficou ainda mais caprichado que o primeiro, a galera da Rock Brigade e da Opera Graphica sabem fazer bons produtos!!! Este novo volume reúne todas as HQs e tiras publicadas entre 1999 e 2001 na Rock Brigade. Está tudo lá em ordem cronológica pra galera não perder nenhum lance da conturbada e atrapalhada carreira do Roko (risos).
2-Quando o personagem estreou na Rock Brigade, você imaginava que seria o sucesso que é? Não, véio, nem imaginava! Naquela época eu só queria pegar uns frilas pois eu tava numa dureza desgraçada (risos).Tava matando cachorro a grito (risos)!!! Mas eu acho que nada é por acaso nessa vida e o Roko foi minha bonança depois da tempestade.Acho que eu e a Brigade tínhamos um "karma" pra construir juntos e o destino se encarregou de nos aproximar um do outro. Fico muito feliz que tenha sido assim pois, além do personagem ter virado um sucesso, eu construí uma amizade muito bacana com o pessoal da Brigade. E não há coisa melhor nessa vida do que você trabalhar e conviver com amigos verdadeiros, sem ambiente ruim puxação de tapete, aquelas coisas chatas que as vezes temos que conviver quando trabalhamos com quem não é nosso amigo de verdade. Acho que esse é o segredo do Roko, ele sai legal porque é feito com tesão, em clima de amizade!
3-Descreva suas crias, Roko-loko e Adrina-lina Eles são os personagens mais Rock´n´Roll do mundo (risos)!!!! Brincadeira, eles são um casalzinho jovem típico, amam o rock e brigam muito mas não sabem viver um sem o outro. Ela tem um gênio desgraçado, é mandona e um tanto "liberada sexualmente" demais para o gosto do Roko (risos). Já ele é o cara cheio de ideais na vida, crente no lado bom das pessoas e no mundo, mas também é cabeça-dura como uma porta e um bocado ingênuo. Essa ingenuidade é que lhe dá graça e o torna mais humano e carismático aos olhos dos leitores. Por baixo daquela imagem de trapalhão, ele tem uma nobreza de espírito muito legal que faz com que as pessoas simpatizem de imediato com ele.
4-Você se identifica com as bandas que o Roko-loko e Adrina-lina curtem? Eu curto rock´n´roll em geral e faço eles curtirem também, pra não ficar nenhum radicalismo chato nas histórias. Eu não sou e nunca fui radical com música, pelo contrário, já tive namorada bicho-grilo, forrozeira, mepebezeira, etc, e sempre fui nas baladas que elas gostavam na boa, sem reclamar. Eu vou em festa de criança, asilo de velhinhos, orfanatos, vou em qualquer programa sem reclamar. Vou até em casamento desde que não seja o MEU (risos)!!! Mas na minha casa o que toca direto é New Model Army, Clash, Ramones, Motorhead, Kiss, Queen, Doors, Stray Cats, muito punk 77, essas coisas saudáveis e revitalizantes (risos)!!!
5-Além de bandas consagradas, nas HQs do Roko, você presta homenagem a bandas do ABC, como por exemplo, Seventh Seal e Necromancia. Isto é saudades e orgulho da "terra natal"? Eu tenho orgulho total das minhas raízes no ABC, pois o ABC foi um lugar especial quando eu era criança e adolescente, nos anos 60, 70 e 80. Aqui nasceu o PT, surgiu o Lula, renasceu o movimento sindical e a esquerda que forçou o fim da ditadura e trouxe a democracia de volta pro Brasil. Se a gente tem, depois de 40 anos, um presidente de esquerda no Brasil é graças ao ABC que forjou na batalha sindical o líder operário Lula. Não é por acaso que o ABC também sempre foi um pólo roqueiro dos mais importantes do Brasil! No ABC o rock e a política sempre estiveram casados, fundidos um ao outro como numa fundição metalúrgica.Eu cresci bebendo dessa fonte e respirando esse ar e virei um cartunista roqueiro-político, um New Model Army dos cartuns (risos)!!! Por isso eu sempre estarei homenageando as ótimas bandas que vem daqui como o Necromancia, O Seventh, os Garotos Podres, Os Kaes Vadius, o DZK, Subviventes, Ulster, MX, etc.
6-Fale um pouco sobre sua vasta bagagem no mundo das charges. Eu comecei na imprensa sindical, no Sindicato dos Químicos do ABC, fazendo charges políticas.Peguei o finzinho da ditadura, do governo Figueiredo e o colégio Eleitoral que elegeu Tancredo/Sarney. Pra mim foi um prazer porque sempre gostei de política, sempre gostei de militância, transformações sociais e revoltas populares. Sempre fui um cartunista do povão (risos) nunca fui um intelectualzinho enjoado com nojo de povo e metido a gênio. Sou proletário mesmo, andei muuuito de trem suburbano (risos), peguei a primeira geração do movimento punk do ABC, bandas como Corte Marcial, Hino Mortal, Grinders, cheguei a tocar no Libertação Radical. Lia Marx, Proudhon, Malatesta, Camus, ouvia muito Raul Seixas, que é um mestre iluminado, então eu misturei todas essas minhas vivências e inventei o meu jeito de fazer política com minhas charges. Tinha meu próprio estilo, meu próprio discurso, minha própria linha de trabalho. E tinha facilidade pra me comunicar com as pessoas simples, com os trabalhadores. Eu sou apaixonado pela imprensa operária, sindical e quero ficar nela ate o fim dos meus dias!
7-Como é essa história de lançar um livro por ano? Haja nanquim, hein!? Eu sou que nem o Roberto Carlos, faço um lançamento por ano (risos)! Eu quero ter um milhão de amigos e vivo este momento lindo (gargalhadas)!!! Eu sempre produzi muito mesmo, sempre fui viciado em trabalho, workaholic incurável, e tenho muito material pra transformar em livros. Portanto me agüentem que ai vem chumbo quente, guardem espaço na estante para a "Enciclopédia do Baraldi” (risos)!!!!
8-Você desenha para muuuuuitas publicações! Como é que você arruma tanto tempo e inspiração? Simples, basta ter muuuuuuitos chefes berrando na sua orelha e cobrando os desenhos (rs)!!! A necessidade é mãe da ação, véio! Eu sou brasileiro e brasileiro é mestre em se virar (rs)! Com disciplina e jogo de cintura tudo se ajeita.
9-Como foi ter faturado dois prêmios Ângelo Agostini, como "melhor cartunista de 2003" e "melhor lançamento de 2003" para o primeiro livro Roko-loko e Adrina-lina, conferidos pela AQC? Foi muito legal, veio! Eu já to completando 22 anos de profissão e acho que são prêmios bem merecido mesmo. É praticamente uma vida dedicada aos quadrinhos num país onde não é nada fácil exercer essa profissão! Já ganhei três "Agostinis", um "Herzog" de Direitos Humanos e um "Humor Popular" conferido pelo público que visitou o Salão de Humor de Volta Redonda em 1994, esse é um prêmio muito legal porque não são os jurados que te dão mas sim o próprio público através de votação direta numa urna. Fui eleito pelo povão o dono do cartum mais legal daquele Salão!!Isso é que é afinidade com o povo (risos)!!!
10-Qual é o recado que você dá para a galera que está começando no mundo dos quadrinhos? Trabalhe e estude pra carvalho!!! Seja bom no que você faz, faça com tesão e atitude! Desenhe como se você fosse mudar o mundo com isso, acredite em você mesmo! Tenha humildade, crítica e auto-crítica. E se algum dia você ficar rico desenhando lembre-se dos conselhos que o Titio Marcio te deu e me mande um milhão de reais como compensação, ok? (gargalhadas)
11-Mande um alô para a galera que acessa o www.novasbandas.com.br Aloooooooo, galera!!!!! Continuem acessando esse site sensacional e aproveitem para acessar o meu novo site também:www.marciobaraldi.com.br Deixem um alô pra mim também no meu guestbook!
12-Pra fechar, quais os 5 melhores discos de todos os tempos na sua opinião ? E no seu caso, seus 5 heróis preferidos, também!!! Essa é difícil! Ce deixou a mais difícil pro final, né (risos)???
Meus 5 maiores discos são: Clash-"London Calling" Motorhead:"Ace of Spades" Queen:"A night at the Opera" Ramones:"Pleasant dreams" New Model Army:"Thunder and Consolation"
Meus 5 Super Heróis preferidos: Espectro (DC) Desafiador(DC) Retalho(DC) Thor (Marvel) Capitão Marvel/Shazam(DC)
<
início >
ENTREVISTA COM MARCIO BARALDI, O CARTUNISTA METALICO
1 - Como vc começou a trabalhar com quadrinhos? Eu sou desses caras que já nasceu desenhando, mas como profissão mesmo comecei em 1983, aos 16 anos, no Sindicato dos Químicos do ABC. Aliás trabalho lá até hoje!
2 - Em quem vc se inspirou, (quadrinhistas estrangeiros e brasileiros)? Quando eu comecei na profissão eu gostava de Ziraldo, Maurício de Souza, Monteiro Lobato, Jack Kirby, Marvel, DC, Muppet Show, Hanna-Barbera, etc. Aí fui misturando tudo isso na minha cabeça até encontrar meu próprio trabalho, minha própria linguagem.
3 - Qual a diferença entre quadrinhista, cartunista e chargista? Em qual dessas categorias vc se enquadra? Quadrinho é uma história contada em várias cenas (quadros), Cartum é uma piada apolítica (humor livre) e charge é uma piada política (humor com políticos ou conjuntura). Eu sempre fiz de tudo porque no Brasil não dá pro sujeito ficar escolhendo muito. Tem que ser lápis pra toda obra!
4 - Vc também trabalha no Sindicato dos Bancários de São Paulo, como é o seu trabalho lá? Eu sou chargista nos Bancários desde 1991, lá eu faço charges para os jornais, revistas, cartazes, gibis, adesivos, campanhas e outros materiais voltados para a informação e organização da categoria bancária. Lá eu desenho muito sobre política que é um assunto que eu gosto bastante.
5 - Qual o cuidado que vc tem quando caricatura alguém famoso (político, artista, etc)? Qual o limite entre a piada e a ofensa, o bom-senso e o mau-gosto? Eu acho que existe gosto pra tudo. Veja no rock por exemplo: existem bandas que vão desde um som melodioso, leve, poético, até outras que colocam bebês decapitados ou blasfêmias religiosas nas capas de seus discos. Há quem ache isso ofensivo e há quem não. As coisas que eu considero de mau-gosto eu não consumo nem coloco no meu trabalho, mas não posso julgar o gosto alheio. De qualquer forma, quando estou caricaturando alguém famoso, que é notícia, tomo o cuidado de ser profissional, ou seja, não estou desenhando a pessoa em si e sim a notícia que ela é.
6 - Todos os quadrinhos que vc faz são idéias suas, ou alguém te dá idéias e roteiros? 99% sou eu que bolo tudo sozinho. As vezes algum leitor ou editor me dá uma sugestão e eu aproveito.
7 - Quando e como vc começou a trabalhar com rock? Nos anos 80 eu toquei em bandas e desenhava pro jornal “Rocker”, do ABC, onde eu fazia o personagem Johnny Bastardo, um punk. Aí o jornal faliu e eu só fui retomar esse tema com força mesmo em janeiro de 96, quando criei o Roko-Loko pra Rock Brigade. Aí não parei mais, o personagem já completou 8 anos. Hoje colaboro também com a Roadie Crew, Metalhead, Dynamite, Valhalla e Comando Rock. E agora comecei com a Rock Underground tambem, agora sim vou virar um magnata dos quadrinhos (risos)!...
8 - Fale sobre sua nova série “Roque Metaleiro e Vivica”, para a RU? O Julio tinha umas umas idéias mirabolantes e me convidou pra desenhar a série pra RU. Ele faz os roteiros e eu desenho. Os personagens são baseados nas aventuras doidas e alucinadas do Julião com a namorada dele. Vai ser um sucesso, o Steven Spielberg já nos procurou pra transformar a série em filme(risos)!
9 - O Roko-Loko teve seu primeiro livro lançado e em breve sairá o segundo. Quais os capítulos mais seminais da série? O primeiro livro do Roko ganhou um Premio Ângelo Agostini, como melhor lançamento de 2003. Em breve vai sair o segundo volume contendo o 4º, 5º e 6º ano da série. Tem HQs clássicas com Saxon, Nightwish, Iron, Kiss, Sex Pistols, Rush, etc. Fiquem ligados que vai ser um best-seller. Te cuida, Paulo Coelho (risos)!...
Entrevista concedida para a revista Rock Underground, em 25/02/2004
<
início >
ENTREVISTA COM MARCIO BARALDI - As aventuras de um metaleiro na Terra dos Metalúrgicos
Por Thiago Avila
1 - Saudações Márcio. Ou seria Roko-Loko? (risos) Saudações. Pode me chamar de Marcioloko, alter-ego do Roko-Loko (risos também).
2 - Brincadeiras a parte Baraldi, conte-nos um pouco como o cartunista sindical Márcio Baraldi decidiu que fazer cartuns rockers era um negócio legal e que as pessoas poderiam se interessar por isto? Eu nasci no ABC paulista, terra do PT e da revolta operária, sou filho de metalúrgico e entrei no movimento sindical bem cedo, com 16 anos, como chargista no Sindicato dos Químicos do ABC. Participei da formação da CUT e de várias greves históricas. Ao mesmo tempo existia uma cena roqueira muito forte no ABC, a região sempre foi um celeiro de roqueiros. Algumas das primeiras bandas e músicos do punk e do metal nacional são de lá, como o Karisma, MX, Garotos Podres, DZK, Kães Vadius, Grinders, Andréas Kisser, etc. A maior parte da juventude de lá trabalhava em fábricas e curtia rock, tinha bandas. Eram operários-roqueiros, metalúrgicos-metaleiros (risos). Era um local e uma época (final da ditadura militar) onde se respirava atitude e a rebeldia estava à flor da pele. Então esse composto ”política+rock+quadrinhos” foi a fórmula que criou o monstro Baraldão (risos).
3 - Pelas suas histórias, percebo que você é um fã inveterado de Raul Seixas. Como você retratou através de sua arte, a perda deste ídolo do Rock Nacional ? Eu gosto do Raul desde moleque, ele foi um gênio mesmo, foi o Elvis Presley da América Latina! Engraçado que a moçada do ABC nos anos 70 e 80, era muito politizada, então o Raul, Made in Brazil, Joelho de Porco, Língua de Trapo, Premê e Zé Geraldo, que eram alguns dos artistas mais engajados da época, eram super queridos na região. Qualquer show que dessem lá lotava. Eu cresci fascinado com a lucidez e genialidade do Mestre Raul, ele parecia de outro mundo (risos), não havia ninguém no rock ou na MPB como ele! Por isso quando comecei a desenhar pras revistas de rock, tratei de de homenageá-lo transformando-o em personagem também. Eu o desenho como um guru espiritual do Roko-Loko, que aparece quando o Roko esta dormindo e leva o espírito dele pra alguma balada. É pura homenagem pro Maluco-Beleza!
4 - Muito interessante esta sua abordagem da figura de Raul Seixas, ou seja, você está avaliando a música acima de qualquer rótulo ou estilo, não se fechando apenas ao mundo, muitas vezes radical, do Rock. Gostaria que você fizesse alguns comentários sobre esta sua visão universal do que a música deve ou deveria ser. Eu tenho 37 anos, quando comecei a ouvir rock nem existia esse termo “heavy metal“, nem tantos rótulos e conseqüentemente não tinham tantas brigas nem radicalismos. Era tudo mais simples e eu entendo que é assim que deveria ser sempre. Eu me defino como roqueiro e pronto! Já minha mulher gosta de sambão e forró (risos) e nós não brigamos por isso. Eu até danço com ela (risos). A maioria desses músicos de metal estudaram música clássica, flamenca, etc,. então não tem lógica nenhuma essas brigas por estilo. Isso na verdade é um sintoma da pobreza cultural, do sucateamento da Educação Publica, do desemprego e da falta de opções culturais pro jovem brasileiro. Um jovem que trabalha, tem uma boa escola e opções de lazer saudável não perde tempo com brigas nem com drogas. E acho que boa parte da culpa disso é da critica também. Um critico musical tem que ter a cabeça aberta, tem que entender de musica em geral. O crítico, muitas vezes, inconscientemente ou não, acaba semeando o radicalismo também. Eu acho que as pessoas deveriam ser radicais com coisas como honestidade, bom-carater, solidariedade, isso sim. Elas deveriam exigir isso de si próprias e de todos de forma permanente. O que tem que ser obrigatório é a decencia e a civilidade entre as pessoas, o resto é bobagem.
5 - Ainda falando de bandas que você curte, é verdade que seus primeiros rabiscos roqueiros foram relacionados ao Kiss ? O negócio é o seguinte: até os 11 anos eu não ouvia nada de especial, não sabia o que era rock. Me lembro de assistir aos filmes dos Monkees e dos Beatles e ter achado “du carvalho” mas ainda era muito pequeno, não comprava discos e na minha família ninguém nunca gostou de rock. Foi em 1977, aos 11 anos, que eu ouvi “We will rock you“, do Queen, num radião veio e foi uma experiência parecida com o primeiro orgasmo (risos), eu fiquei arrepiado quando ouvi aquele som animal! Nessa época eu já trabalhava (garoto precoce!), aí catei minhas moedas suadas e corri na loja comprar o compacto do Queen. Foi meu PRIMEIRÍSSIMO disco de rock! Ai comecei a ouvir e desenhar o Queen sem parar, na seqüência descobri o Kiss e enchi zilhões de cadernos com desenhos das duas bandas. Aí fui descobrindo todo o universo do Rock’n’Roll, mas o Queen e o Kiss ainda são duas das minhas bandas preferidas até hoje.
6 - Muito legal isto. Retrata um pouco da dificuldade que se tinha no passado em adquirir qualquer coisa ligado a Rock. Quais suas lembranças da cena Rock do passado? Você já foi freqüentador da Woodstock discos? Tens saudade daquela época ? Eu freqüentei um pouco a Woodstock e um pouco mais Baratos Afins, que na época lançava alguns dos primeiros discos de metal, punk, pos-punk, e rock em geral do Brasil. As famosa coletâneas “SP Metal 1 e 2“, e “Não São Paulo 1 e 2“, os primeiros do Harppia, Chave do Sol, os relançamentos dos Mutantes, etc. Eram todos discos clássicos e históricos que todo mundo comprava na época. A Baratos foi uma loja/gravadora fundamental pro metal e o rock em geral nacional. O rock undergound brasileiro deve muito ao Calanca, da Baratos, muita coisa que cresceu e frutificou hoje foi ele que semeou há 20 anos atrás. E naquela época ainda não tinha CD, Internet, MP3, os vinis importados custavam o olho da cara. Então se alguém do bairro descolasse um importado tinha que gravar pra todo mundo (risos), então havia essa fraternidade pra compensar a dificuldade de acesso a material importado. Muita coisa que eu descobri nessa época, comecinho dos anos 80, foi assim, VanHalen na fase áurea, Accept, Motorhead, os primeiros do Iron quando saíram foi uma coqueluche, virou febre na hora! Todo mundo tinha.
7 - Pelo que tenho notícia, você começou seus trabalhos profissionais no meio Rock na revista Rock Brigade em 1996. Conte-nos como você foi parar na revista ? Na minha fase mais moleque, lá no ABC, eu colaborava com muito fanzine de rock e fazia muito cartaz de shows. Os postes e muros viviam forrados com meus desenhos. Também desenhava pro jornal “Rocker”, um tablóide roqueiro que tinha um bom prestígio na época, lá eu fazia o personagem “Johnny Bastardo”, uma espécie de pré-Roko-Loko. Mas o jornal faliu e eu só fui retomar o assunto pra valer mesmo em janeiro de 1996, quando criei o Roko pra Rock Brigade. Dali pra frente meu trabalho só cresceu e eu não parei mais. Hoje estou, alem da Brigade, na Roadie Crew, Dynamite, Metalhead,Valhalla, Tattoo e Comando Rock.
8 - É Baraldi. Suas respostas fluem facilmente pois você sempre foi um cara muito ativo na cena e na defesa do que gosta. Hoje em dia, com todas as facilidades do mundo para o público de Rock e Metal, nos cansamos de ver shows vazios e produtores reclamando de prejuízo. Você concorda que falta um pouco de compromisso dos fãs com o que gostam, como era no passado? Ou o motivo seria outro? Fale-nos um pouco a respeito deste tema. Eu, pessoalmente, acho que a moçada não tem tanta culpa. Eles vão atrás do que está na mídia, do que toca no rádio, do que vêem na TV. Então existem artistas maravilhosos no underground mas o povo não sabe que eles existem, eles não furam o cerco da grande mídia. Todo mundo sabe como funcionam as rádios e a grande mídia no Brasil, tem que ter jabá, gravadora grande, muita grana, senão o artista não “estoura”. Acho um absurdo as “rádios-rock” brasileiras não tocarem Made in Brazil, que é a primeira banda de rock pesado do país. Se não fossem eles não existiria nada do que está ai hoje. É preconceito puro e falta de respeito pela cultura do próprio país! Por isso que eu faço questão de colaborar com o máximo de veículos alternativos e especializados que eu puder: revistas, sites, gravadoras pequenas, bandas undergrounds, etc. Graças ao crescimento dessa mídia alternativa é que se conseguiu criar um a cena artística e musical bem mais forte e consistente do que era há 20 anos atrás. Há dez anos a única banda brasileira internacional era o Sepultura, hoje vc tem quatro, Sepultura, Angra, Shaman e Krisium, e algumas como Torture Squad, Thuatta e Holly Sagga estão na lista de próximos a estourarem. Então não tem segredo, quando a banda é boa e a mídia especializada realmente a apóia, a expõe de verdade ao publico, o público a consagra, vai aos shows, compra os CDs, etc. Não basta ser bom é preciso marketing! Tudo nesse mundo funciona assim!
9 - Já na Rock Brigade, você concebeu a dupla rocker mais pirada do país, que são Roko-Loko e Adrina-Lina. De onde surgiram estes nomes e inspirado em que pessoas você concebeu a personalidade da dupla ? O engraçado é que os personagens surgiram sem pretensão. Eu levei várias HQs para o pessoal da Brigade e no meio delas tinha a do Roko e da Adrina com a camisinha musical, eles ainda nem eram personagens, nem tinham nome. Mas o povo da Brigade adorou aquela historia e pediram pra transformá-los em personagens fixos, aí corri desenhar outras histórias com o casalzinho e bolamos um concurso pra escolher o nome dos personagens, mas no final eu mesmo acabei batizando-os. Não me inspirei em ninguém em especial até por causa da despretensão dos personagens. Mas com o tempo, conforme o Roko foi ganhando personalidade, percebi que ele era muito parecido comigo mesmo (risos). E você vê que loucura, já se passaram 8 anos, já fiz um livro dos personagens e estou preparando o segundo. Eles já fazem parte da cultura rock nacional e, modéstia a parte, nas grandes revistas de rock estrangeiras, não tem nada como eles. Eles são vanguarda mundial, tanto que fui convidado e passei a colaborar com uma revista de metal portuguesa e uma do Equador. E mais uma coisa legal, o livro Roko-Loko acabou de ganhar o Premio Ângelo Agostini (o mais antigo e importante dos Quadrinho Nacional) como o melhor lançamento de 2003! Esse Roko é “du carvalho” mesmo (risos)!
10 - Desde que eu conheci o Roko-Loko na Rock Brigade que o mesmo só usa a mesma camisa amarela. Coincidentemente a capa do livro Roko-Loko e Adrina-Lina também é amarela. Esta cor tem algum significado especial para você? Ele usa as cores do Brasil (camisa amarela e calça azul, cores da seleção) de propósito. Eu quero mostrar pras pessoas que não é apenas o futebol brasileiro que faz bonito lá fora. As bandas e o cartum nacional também fazem! Aliás a o Brasil tem tudo pra fazer bonito em TODAS as áreas. O governo Lula é o momento ideal pro povo desenvolver seu orgulho de ser brasileiro e passar a ter mais respeito e auto-estima. Enquanto países do 1º Mundo gastam fortunas com guerras e invasões, nós estamos trabalhando, dividindo o pão e plantando o sonho de um futuro melhor.
11 - Poxa cara. Que tapado sou eu que não percebi este detalhe. Acho que falta um pouco mais de nacionalismo na expressão do Metal nacional, não acha? Zilhões de bandas falam de problemas e situações de várias partes do mundo, mas poucas param pra retratar o dia-a-dia do Brasil em suas letras. Você concorda que o Rock poderia abrir mais portas se abordasse um pouco mais a causa nacional, de todos nós brasileiros? Concordo totalmente! Eu sei que esse negócio de cantar em inglês é bom pra entrar no mercado exterior, mas aqui no Brasil o que o povo entende é o português, nós não somos uma nação bilíngüe, pelo contrário, temos ainda um analfabetismo imenso. Então eu acredito que o que mais falta no rock nacional, cantado em português, são boas letras, boas mensagens. A maioria dessas bandas, pra entrar no esquemão da grande mídia, só canta futilidades, dor de cotovelo, putarias, enfim, nada que se aproveite muito. Depois reclamam dos pagodeiros e sertanejos, se vc for analisar o conteúdo das letras de muita bandinha de “roque” por aí é o mesmo discurso dos pagodeiros ou sertanejos. Mesma conversa furada e vazia. Por isso que quando surgiu o Renato Russo a Legião virou aquela religião entre os jovens. O cara era inteligente pra carvalho, tinha uma puta sensibilidade e afinidade com o público, mesmo não sendo uma banda virtuosa, ter aquele som simples, a Legião é a banda que mais e melhor representou a juventude brasileira nos anos 80 e 90. Dou graças a Deus por ter assistido um show deles na vida, foi o único mas valeu pela vida toda. Foi num estádio de futebol em S. André, eles LOTARAM o estádio sozinhos, eu vi e posso dizer, ali tinha uma energia inacreditável, um clima religioso no ar, o cara era um gigante, um sacerdote, ele hipnotizava o estádio inteiro com o carisma dele. As pessoas queriam pedir benção, tinha gente que chorava.. Não tinha luzes de última geração, fogos de artifício, virtuosimo, nada, tinha só o imenso carisma e talento de um sujeito genial e sua banda de musicas de três acordes.
12 - Além do já consagrado Roko-Loko, você adora fazer caricaturas com personagens roqueiros, principalmente para as outras revistas. Teve algum Cartum, que já lhe trouxe problemas? Você já recebeu reconhecimento internacional pelos artistas do meio, graças a sua arte, já que outras publicações estrangeiras já te convidaram pra fazer trabalhos? Nunca tive problemas com nenhum cartum, pelo contrário, através do cartum conheci e fiz amizade com várias figuras legais como a galera do Made in Brazil, Carlos Lopes, galera do Torture Squad, Harppia, Máxima Culpa, Silvio Passos, Kid Vinil, Vitao Bonesso e tanta gente bacana que eu nem imaginava conhecer pessoalmente. Ser cartunista só me trouxe alegria e realização na vida. Reconhecimento internacional eu já tenho algum também porque, como disse antes, duas revistas estrangeiras me convidaram pra ser colaborador. E numa delas, a Headbanger Magazine, do Equador, aconteceu uma história muito engraçada. O editor pediu pra eu fazer uma foto segurando a revista pra ele publicar, pois os leitores não estavam acreditando que o Baraldi realmente colaborava com a revista, achavam que ele estava pirateando meus cartuns das revistas brasileiras (risos). Isso pra mim já é uma honra pois prova que meu trabalho já fez fama lá fora também! E cá entre nós, eu e o Roko merecemos, a gente trabalha pra carvalho!
13 - Falando novamente do livro Roko-Loko e Adrina-Lina. Qual foi a tiragem do mesmo? Como está a distribuição? Ainda há copias para os interessados? A primeira edição foi de 2 mil exemplares e vendeu praticamente toda em seis meses. Ainda resta uma rapinha e quem quiser pode pedir pelo site da Rock Brigade, www.rockbrigade.com.br, é facil de comprar e o livro custa a merreca de 10 reais, ou seja, cabe no bolso de qualquer roqueiro. Pra quem é de São Paulo ele pode ser achado nos points roqueiros como a Galeria do Rock.. O livro tem 50 paginas em papel couche todo colorido, capa plastificada e acabamento luxuoso. É um livro caprichado, pro cara ler e depois botar na estante da sala pra impressionar as visitas (risos).
14 - Certamente você deve ter tido trabalho pra escolher quais histórias, dentre as muitas de sua autoria, iriam figurar no livro do Roko-Loko. Quem decidiu tudo foi você ou tiveram outros personagens ajudando nesta tarefa? Desde o começo eu decidi que queria lançar vários volumes do Roko com todas as histórias dele em ordem cronológica, desde a primeiríssima. Então neste primeiro volume estao as 36 primeiras páginas do Roko e mais as 32 primeiras tirinhas (seção Funny Piece da Rock Brigade), tudo colorizado, remasterizado e remixado (risos). O material reune os três primeiros anos dos personagens (1996, 97 e 98) e agora estou trabalhando no segundo volume que vai ser lançado nesse semestre e reunirá o material dos anos 1999, 2000 e 2001. Eu quero que o fã do Roko tenha todo material em casa, reunidos em volumes bonitos, caprichados e fáceis de ler. Vai ser a “Coleção Roko-Loko“!
15 - O André Matos (Shaman) é o maior rival do seu alter-ego (Roko-Loko). Já lhe passou pela cabeça algum dia montar uma história do Roko aprontando pro lado do André, já que ele sempre sai na pior? Cara, eu tenho vontade de brincar mais com isso sim. Eu queria transformar esse triangulo num quarteto amoroso, o Roko, a Adrina, o André e a Penélope Nova (namorada do André). A Penélope dá aquelas aulas de sexo na MTV, é a sexóloga do Rock, então eles podiam fazer um rolo os quatro ali no bem-bom, aí chegava o Marcelo Nova (sogro do Andre), baiano arretado, brandindo um porrete e botava ordem na casa, gritando: --“ Vcs têm que usar Camisa de Vênus!!!”(risos). Espero que eles gostem da idéia, já pensou se eles ficarem nervosos? Vou apanhar da família inteira (gargalhadas)!!!
16 - Bem Baraldi, muito obrigado pela atenção. Mande seu recado para nossos leitores. Muito obrigado a todos pelo carinho e apoio ao meu trabalho. É tão difícil ser cartunista no Brasil quanto ter um banda de rock, podem acreditar. Eu faço isso porque tenho, desde moleque, um amor imenso pelos quadrinhos e sou grato a Deus por poder viver exclusivamente disso há 21 anos (completados agora em fevereiro). Quero dizer pra todos que não desistam dos seus sonhos na vida, escolham seu caminho e trabalhem muito pra serem bons dentro dele. E sobretudo nunca pensem somente em si próprios, pensem no coletivo também, no Brasil. Sejam não somente bons profissionais mas bons seres humanos também. Por muito tempo o Brasil foi malvisto e desdenhado pelos próprios brasileiros (e no exterior também), mas essa época definitivamente ACABOU! Agora estamos no governo que há muito tempo precisávamos ter e é o momento de crescermos como nação. De termos mais auto-estima e auto-respeito. É hora de dar valor pra tudo que é brasileiro e perceber que o Brasil não deve nada pra ninguém, temos músicos, artistas, atletas, cientistas, empresários, médicos, etc, maravilhosos, de nivel internacional. Só falta um pouco mais de educação e amor pelo país. Mas a gente tá chegando lá! Esse é um país “Du Carvalho”!!!!
Entrevista para site www.skyhell.net, em 19/01/2004
<
início >
MANDA BALA, BARALDI!
O casal roqueiro mais divertido dos quadrinhos volta com tudo no especial ROKO-LOKO E ADRINA-LINA ATACAM NOVAMENTE! Seu criador, o cartunista Marcio Baraldi, conta um pouco sobre esse novo álbum e seus futuros projetos, bem como sua trajetória profissional envolta em política e muito Rock’n’Roll. Portanto, divirta-se!
Quando e onde você nasceu? Baraldi – Eu nasci na cidade de Santo André, no glorioso ano de 1966! Mais precisamente, em 14 de abril. Dois anos depois do golpe militar. Sou ariano sangue bom!
Legal, quatro meses depois de mim. E sua família, sempre foi do ABC paulista? Baraldi – Meus avós eram imigrantes italianos. Meus pais começaram a vida ali. Era uma típica família de proletários do ABC.
Seu pai era metalúrgico... Baraldi – Minha mãe também! Eles se conheceram na fábrica da Rhodia e trabalharam em várias fábricas químicas e metalúrgicas.
Daí veio sua veia militante? Você pegou todo aquele período do Lula e da ascensão do Sindicato dos Metalúrgicos nos anos 70... Baraldi – Deixa eu explicar: o ABC foi o motor que puxou a democracia de volta! Nós nascemos logo depois do Golpe. A gente não tinha muita noção do que acontecia quando éramos crianças...
É, aquelas aulas de Educação Moral e Cívica... Baraldi – Exatamente! Mas entre 79 e 81 rolaram aquelas greves históricas em São Bernardo , a cidade virou um palco de guerra!Eu estudava desenho mecânico na ETI Lauro Gomes de São Bernardo e vi toda aquela pancadaria histórica! Era porrada pra todo lado!Aquilo me marcou profundamente!
Falando em desenho, foram os quadrinhos que te levaram a fazer cartum ou o gosto por quadrinhos foi uma conseqüência de sua aptidão artística? Baraldi – Eu gostava de gibi desde os cinco ou seis anos, antes mesmo de ir pra escola. Aprendi a ler com os quadrinhos do Maurício de Souza... com a Mônica, o Cebolinha....
Mas o Cebolinha não era um bom exemplo... (risadas) Baraldi – Pode crer! O lance de falar errado não é politicamente correto, mas pra mim, o Maurício é genial! Principalmente quando ainda escrevia suas próprias histórias! Falam que hoje ele é só um empresário mas... quantas pessoas não cresceram e foram alfabetizadas lendo seus gibis?
É verdade. Além disso, HQ é um negócio como qualquer outro. Mas mudando de assunto, eu sei que você gosta de super-heróis. Qual foi seu primeiro contato com esse universo e quais são os seus preferidos? Baraldi – Eles vieram depois! Eu era um viciado na Turma da Mônica e no Pererê, do Ziraldo – que acho genial para as crianças, pois além de original tem toda uma brasilidade envolvida! Adorava também os desenhos da Hanna-Barbera. Mas um dia ocorreu algo engraçado. Eu tinha uns 8 anos e estava no primário. Um amigo da escola me disse que havia lido um gibi do Batman. Pô, eu só conhecia o Batman do seriado da TV...
Sei, o Adam West... Baraldi – Exatamente! Eu não sabia que existia um gibi do Batman! Ao sair da escola fui correndo até a banca e comprei o exemplar número 63, que era da EBAL – tenho até hoje essa revista. Viciei e parei de vez com o Cebolinha! Logo depois, vieram os heróis Marvel pela Bloch...
Então o Batman é o teu herói preferido? Baraldi – Meus primeiros gibis foram os do Batman, do Capitão Marvel e do Super-Homem. Não são os mais queridos, mas guardo um carinho especial por eles! Meus preferidos, mesmo, são aqueles heróis "trash", como o Turok, o Magnus, o Espectro, o Desafiador... ah, e o Retalho! Lembra dele, cara?
Claro, o Joe Kubert que fazia... Baraldi – E o Nestor Redondo também! Eu adorava esses heróis "bagaceiros"!(RISOS)
Como se deu seu envolvimento com o cartum? Qual foi seu primeiro trabalho profissional? Baraldi – Bem, a gente morava no subúrbio e fazia muita bagunça. Pra me manter quietinho, minha mãe me enchia de papel e canetinha, pra eu sossegar! De tanto desenhar, desenvolvi minha vocação. Em 83, surgiu a oportunidade de trabalhar no Sindicato dos Químicos do ABC. Era o finzinho do governo militar do... como era mesmo o nome dele?
Figueiredo! Baraldi – Isso! Minhas primeiras charges foram em cima do Figueiredo. Foram feitas pra ilustrar o jornal do sindicato.
Era um começo meio tímido da abertura política. A censura estava meio frouxa... Baraldi – É, ainda era meio devagar. Lembra que em 82 liberaram as revistas eróticas? Até então, só podiam mostrar os peitos, mas aí, quando as "aranhas" começaram a aparecer, foi uma festa!(risadas)
Lembra da revista Status? Baraldi – Era uma pobreza! Mas aí, veio a Internacional, a Fiesta... era tudo explícito e a gente adorava! Logo depois veio o sindicalismo não-pelego... veio a CUT, que eu ajudei a nascer, criando os primeiros cartazes, aquelas coisas...
O Rock’n’Roll surgiu na sua vida nesse período? Baraldi – O rock surgiu quando eu tinha 11 anos. Eu estava em casa ouvindo rádio, quando tocou” We Will Rock You”,do Queen. Foi fantástico!
Sei, o famoso "disco do robô" do Queen. Baraldi – Isso mesmo! Nunca tinha ouvido nada igual na minha vida! Daí, corri e comprei o compacto. Do lado "B" tinha We Are The Champions. Virei o maior fã do Queen e depois, do KISS. O KISS era a banda que melhor definia as duas coisas: quadrinhos e Rock. KISS era gibi!
Sem dúvida! Seus membros eram como heróis em quadrinhos ambulantes. Na ocasião, até viraram personagens da Marvel... Baraldi – Exatamente! Logo depois veio o Movimento Punk, que caiu como uma luva pra mim – já que eu vivia numa região altamente politizada...
O Movimento Punk no ABC foi muito grande! Surgiram bandas como Garotos Podres... Baraldi – Isso... e a DZK, a Libertação Radical, a Corte Marcial, a Hino Mortal... uma pá de bandas fundamentais da primeira geração do Punk....
Creio que ouve uma identificação forte do brado anárquico do Punk com o contexto político da época. Você acha que o Punk foi mais significativo que o Movimento Hippie? Você acha que os hippies caíram na alienação com o passar do tempo? Como você vê isso, como você transportou isso para seus quadrinhos? Baraldi – Ah, os hippies não eram alienados, não. Os anos 60 foram maravilhosos, teve muita contestação, rebeldia! Naquele tempo houve a liberação sexual e a descoberta das drogas. A regra era ver o que as drogas podiam fazer com os sentidos . Sou radicalmente contra as drogas, mas entendo que naquele momento cabia essa liberação...
Era um momento de descobertas... Baraldi –Isso mesmo! Até os anos 50, havia uma repressão desgraçada! Aí, nos anos 60, o pessoal soltou a franga! Teve muitos exageros, claro... e vários de nossos heróis morreram de overdose, certo? Eu não peguei essa época, embora o ABC tivesse muito roqueiro no meu período, também.
E como você entrou na imprensa especializada do Rock? Foi com a revista Rock Brigade? Baraldi – Não, foi em 1986 no tablóide “Rocker”, que também era uma gravadora. Eu que fiz a capa do álbum “Rock do ABC”, uma coletânea com várias bandas da região. Na Brigade, entrei somente em 96, quando levei algumas histórinhas do Roko-Loko,que na época ainda nem tinha nome. Eles disseram:-"Bicho, é isso que a gente quer!"
O Roko-Loko é o Baraldi?(risadas) Baraldi – Tem muito do Baraldi... aquele vacilão! No começo eu nem percebia, mas depois comecei a notar que punha muito de mim no personagem. Um cara otimista...
O primeiro álbum teve uma repercussão estrondosa, e o segundo já é amplamente aguardado! Há mais planos para o personagem? Baraldi – Um camarada e eu estamos preparando um videogame do Roko-Loko. Vamos colocar no site da Rock Brigade pro pessoal baixar de graça. No jogo, ele salva a Adrina-Lina... luta com o Sertanejo...(risadas)
Você brinca com as outras vertentes musicais mas a gente percebe que você é um cara sem preconceitos. Tanto que até fez um livro sobre homossexualidade... Baraldi – Anos atrás, eu prestava serviços pra Editora Summus, que tinha um selo chamado Edições GLS, capitaneado pela Laura Bacellar, uma pessoa maravilhosa, mulher e lésbica! Ela procurava um ilustrador para os livros dela, mas o cara não podia ter preconceitos. Ela gostou de meu humor, e aí surgiu o livro” Todas as Cores do Humor” – que ficou bem legal, além de ser algo pioneiro...
E como é ter um livro com prefácio do Lula? Baraldi – Ah, o “Moro Num País Tropicaos”? Foi uma coletânea de charges políticas que fiz na época do Presidente Fernando Henrique. O Lula ainda era candidato. Como já o conhecia do Movimento Sindical, foi natural pedir um prefácio pra ele! E não vou mentir... o prefácio ajudou a esgotar o livro rapidinho! Deu um "tcham"! Em seguida, ele foi eleito Presidente! Quer dizer então, que tenho um prefácio do Presidente da República em meu livro...(risadas)
Não é pra qualquer um. Como não é, ter um pôster com dedicatória do Stan Lee! Baraldi – Foi em 98. Um dia, o Sindicato dos Bancários assinou um convênio com um curso de inglês. Um dos caras do curso me disse que era amigo do Stan Lee e perguntou se eu gostava dele. Eu disse: "Eu adoro!" Então o cara falou que ia para os States e que ia trazer um pôster autografado do "The Man"...
E você não botou muita fé...Baraldi – Pois é, mas não é que um mês depois o cara me aparece com o pôster... desde então, o guardo com o maior carinho.
Pra finalizar?... Baraldi – Que Deus me dê muita saúde pra continuar fazendo histórias do Roko-Loko. O segundo volume vai sair agora pela Opera. Está ainda melhor que o primeiro! Tem texto do João Gordo, do Kid Vinil, do Andreas Kisser, do Sepultura e mais uma galera legal! Vou fazer um superlançamento e divulgar o personagem cada vez mais! Já tenho um terceiro volume preparado pro ano que vem....
Longa vida ao Roko-Loko! Amém!!!(risadas)
Entrevista cedida a Roberto Guedes, para a revista 100 Balas nº 31, de julho de 2004.
<
início >
UM BRAINSTORM COM MARCIO BARALDI
1-Eloyr Pacheco - São nove anos publicando na Rock Brigade. Ao que você atribui essa longevidade? Bom, eu acho que sou o cara certo, fazendo o personagem certo pro publico certo!No Brasil sempre teve muito roqueiro, o país é um dos maiores públicos consumidores de rock do mundo, e aqui não existia um personagem roqueiro com o qual a galera rocker pudesse se identificar. Aí , como sou roqueiro também, foi tranqüilo bolar o Roko-Loko, sou um cara bem-informado sobre o mundo Rock’n’Roll e assim posso fazer do Roko um personagem autêntico, legítimo e sempre atualizado .É isso que dá credibilidade ao Roko-Loko e , consequentemente, sua longevidade!
2-Celso Freixo - Como surgiram os personagens Adrina-Lina e Roko-Loko? É pura inspiração ou são pessoas que você conhece? Surgiram por obra do destino mesmo.Eu bolei apenas uma história com eles e ofereci para a Brigade , nem imaginava que virariam uma série,mas o pessoal da revista curtiu tanto que me obrigaram a fazer uma HQ com eles todo mês (rs).E em pouco tempo o público os consagrou, a roqueirada me parava na rua pra cumprimentar pelas histórias! Eu não me inspirei diretamente em ninguém, mas com o tempo fui percebendo que muito da personalidade que eu colocava no personagem era minha mesmo,o Roko tem muita coisa do Marcio Baraldi, aquele idealismo, a boa -vontade pra com as pessoas , o otimismo(beirando a ingenuidade), isso tudo veio da minha personalidade! Já a Adrina lembra um tipo de mulher que sempre aparece na vida de todos nós, aquela mulher mandona, folgada, ciumenta e passional ,mas que pela personalidade forte acaba marcando a vida da gente. Todo mundo já teve uma uma Adrina-Lina em seu caminho(gargalhadas)!!!
3-Eloyr Pacheco - Como surgiu a parceria entre a Rock Brigade e a Editora Opera Graphica para a publicação de seus álbuns? Bom, eu já publico o personagem na Brigade há anos e também presto serviço pra Opera Graphica há anos também, sou muito amigo do pessoal de ambas as editoras. Então achei que a melhor coisa seria juntar o know-how específico de cada um delas pra fazer o livro , a Brigade sabe tudo de rock e a Opera manja tudo de fazer álbuns de quadrinhos caprichados,então juntei a competência de cada uma delas e fiz uma parceria histórica pra lançar esses livros, que pra mim, são lançamentos históricos também!
4-Eloyr Pacheco - O fato do material estar pronto (os álbuns são coletâneas do que você publica na Rock Brigade) facilitou a produção dos álbuns? Houve alguma interferência dos editores, ou o projeto é todo seu? O projeto é todo meu! Eu seleciono as histórias , as coloco em ordem cronológica,faço o projeto gráfico, os agradecimentos, bolo todos os detalhes do livro, da primeira a última página.As editoras me dão o apoio e estrutura pra realizar essa empreitada toda,redatores, diagramadores e outros profissionais maravilhosos , os quais ,sem eles , o livro não sairia. O fato do material já estar pronto, de ser uma coletânea , ajuda um pouco ,mas mesmo assim,editar um bom livro sempre dá um trabalho do cão!
5-Celso Freixo – Como colecionador de quadrinhos de super-heróis, você nunca pensou em criar algum, ou você já criou e nunca publicou? Boa pergunta! Quando eu era adolescente meu sonho era desenhar super-heróis pra Marvel , mas naquela época ( começo dos anos 80)isso era inviável no Brasil;ainda não existia a “Art e Comics” e o mercado americano de quadrinhos provavelmente nem conhecia desenhistas brasileiros.Então eu desencanei dessa idéia e arrumei emprego como chargista na imprensa sindical e acabei construindo um carreira sólida como desenhista de humor.Mas eu tenho zilhões de super heróis engavetados em casa dessa época de adolescente,além da minha coleção de gibis do tempo de moleque que eu guardo e, volta e meia ,releio com o maior carinho!O Brasil teve muitos super heróis bacanas nos anos 60 e 70, os meus preferidoso eram o “Fikom” e o “Golden Guitar”, eu os considero extremamente originais e absolutamente GENIAIS!Só pela história da origem do “Fikom”,Fernando Ikoma ( o criador do personagem) já entrou pra história da HQ mundial como um gênio! Outro super-herói dos anos 70, desta vez de humor, que eu adorava era o, “Big Músculus”, do ilustrador EDU, outro gênio também!!!Mas aquela época revelou muitos artistas maravilhosos como Rodolfo Zalla, Collonese, Osvaldo Talo,Getulio Delphin, Luiz Saidemberg ,Nico Rosso, entre outros, além do mestre dos mestres, Jayme Cortez! Foi um período de ouro para o quadrinho nacional, uma espécie de “Golden Age” brasileira!
6-Eloyr Pacheco - Acontece de às vezes faltar inspiração para produzir e o prazo de entrega está estourado. Isso acontece com você? Como você se vira nessa hora?É pra isso que eu já sou devoto de Santo Expedito, o santo da última hora(rs)!!!Faço aniversário pertinho do dia dele!Brincadeira, eu tenho que ser extremamente disciplinado pra não furar com nenhum editor, não dá pra faltar inspiração, depois de tantos anos de prática a gente já tem uma fluência de idéias e agilidade pra produzir. Mas em último caso todo desenhista tem uma gaveta com cartuns de emergência, os famosos “Planos B”(rs)!
7-Celso Freixo – Só pelo fato de publicar na Rock Brigade e pelo “conteúdo” dos seus personagens, é claro que você gosta de Heavy Metal. Quando você está produzindo quais músicas você ouve? Quando eu estou criando a piada, ou o roteiro da HQ eu não ouço absolutamente nada , só minha mente.Se eu botar uma música nessa hora me desconcentra,mas na hora de finalizar o desenho, passar a tinta, aí sim eu posso ouvir música a vontade que não atrapalha. O que toca sempre na casa do Baraldão é New Model Army, Clash, Queen, Kiss,Motorhead, Doors, Stray Cats, pós-punk,hard-rock, metal e muuuuuuito punk 77! Enfim , musica agitada para um cartunista agitado(rs)!
Entrevista concedida a Celso Freixo e Eloyr Pacheco da Editora Braisnstore, em outubro/2004. www.tupinankym.com.br
<
início >
BARALDI ATACA NOVAMENTE!
1-Primeiramente, gostaria que você falasse sobre o lançamento do livro Roko-Loko e Adrina-Lina – Atacam Novamente!. O que o público irá encontrar nas “novas” aventuras da dupla? Neste segundo volume estão reunidos os 4º, 5º e 6º anos da serie que sai na Rock Brigade,alem das tirinhas deste mesmo período. Estou tendo o cuidado de editar tudo em ordem cronológica porque quero que o leitor acompanhe a evolução dos personagens e não perca nenhum das historias que já saíram. Não vou deixar nenhuma de fora!
2-Neste livro foram incluídos textos de grandes nomes do rock nacional (Sepultura, Ratos de Porão, Krisiun, Korzus, Inocentes, Magazine e outros) comentando sobre os seus personagens. Como é receber este reconhecimento?É maravilhoso! Fico muito grato a esses grandes músicos pela consideração e gentileza e por curtirem meu trabalho.Me lembro do Andreas do Sepultura dizer que os filhos deles adoram ver o pai trasformado em cartum(rs). E um outro lance muito legal foi que por causa das historias eu acabei ficando broder de músicos legais como galera do Harppia, Kid Vinil, Clemente, Made in Brazil, Dorsal, etc!Eu estou fazendo rock’n1roll tanto quanto eles, só que com meus quadrinhos e não com guitarras.
3-Após anos fazendo os cartuns do Roko-Loko e Adrina-Lina para a revista Rock Brigade, o que lhe motivou a lança-los em livro? O próprio reconhecimento do publico.O Roko começou a fazer tanto sucesso entre a roqueirada que chegou um momento em que paravam direto na rua pra cumprimentar pelo personagem.Essa é uma profissão muito bacana porque vc acaba fazendo amizade com um monte de gente que vc nem conhecia,assim no meio da rua(rs)!Sem falar no monte de e-mails que eu recebia de galera parabenizando ou dando idéias para usar nas hístórias. Muitas dessas idéias eu utilizo e boto um agradecimento pro leitor num cantinho do quadrinho. Aí saquei que era hora de lançar um livro pra aproveitar a popularidade do personagem e faze-lo crescer mais.Aí lancei o primeiro volume em 2003 que vendeu muito bem e agora lancei o segundo que está indo tão bem quanto o primeiro.
4-Você esperava pelo sucesso do primeiro livro? Eu até esperava sim porque acho que lancei na hora certa, quando o personagem já tinha sete anos de publicação, ou seja, já estava maduro.Além disso fiz uma edição caprichadíssima e juntei duas editoras de alta credibilidade para lançar o projeto, a Rock Brigade e a Opera Graphica. E ainda faço questão de vender um livro de alta qualidade como esse a preço popular pois sei que hoje em dia tá todo mundo com a verba curta. 5-Quando foi lançado o primeiro livro, “Roko-Loko e Adrina-Lina,” você já esperava lançar continuações? Os fãs podem esperar mais volumes da serie? Esperava sim. Minha intenção é fazer uma seqüência de volumes com todas as historias pro cara ir colecionando, eu já tenho o volume três pronto pra ser publicado mas só devo lançá-lo ano que vem.Além do Roko tenho outros personagens que vão virar livros também, guardem espaço na estante para a Enciclopédia do Baraldi(rs)!
6-Você é o principal cartunista do rock no Brasil, desenhando para as principais revistas do estilo, inclusive veículos que podem ser considerados concorrentes. Como você se sente em relação a isso? Me sinto muito feliz por ter tantos amigos que confiam no meu trabalho. Eu sou como o Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos(gargalhadas)!!! Eu respeito a linha editorial de cada revista e procuro desenvolver um trabalho exclusivo para cada uma, procura não misturar as bolas jamais.Isso pra mim é um prazer pois eu adoro criar personagens e séries diferentes. Assim como quando eu era moleque gostava de vários personagens, hoje eu também quero ser um cartunista de vários personagens!
7-Na revista Comando Rock, você é o responsável pelas tirinhas do Guerrilheiro da Guitarra. Conte-nos um pouco sobre o personagem. Ninguém percebe que ele foi inspirado no Marcão,né(rs)?!?O Marcão é broder meu há mais de 12 anos e acho ele um personagem ambulante, então achei que podia fazer um “alter-ego” dele que explodisse tudo que não p
|