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Grafite Hip-Hop: UM CARTUNISTA DAS RUAS


Marcio Baraldi é um dos cartunistas mais ativos do Brasil. Colaborador de várias revistas, de rock, tatuagem, eróticas, e até espíritas, ele também é o mais presente em jornais sindicais e panfletos reivindicatórios. Você certamente já topou com um cartaz dele na rua convocando pra alguma greve ou passeata!
Conheça agora um pouco mais sobre esse artista politizado que está lançando um livro de quadrinhos roqueiros e que já grafitou muito na vida:

1) Voce tem alguma relação com o grafite?
Quando eu era garoto, grafitei bastante nos muros do ABC paulista, onde eu nasci. Mas naquela época, nos anos 80, o grafite ainda estava começando no Brasil. Não se via uns grafites elaborados, cheios de estilo como se vê hoje. Um dos pioneiros do grafite, que já tinha algum destaque na época era o Alex Vallauri, já falecido. Ele tinha uma personagem, a Rainha do Frango Assado, que era um sarro, você a via direto nos muros de São Paulo. Ele foi a vanguarda do movimento!
Mas o grafite só se popularizou mesmo da década de 90 pra cá. Naquela época a gente grafitava com máscaras de papelão e chapa de pulmão. A gente bolava o desenho, passava pra chapa e depois recortava tudo com estilete. Dava um trabalho do cão, puta troço primitivo. Eram os primórdios. Não se tinha a técnica que se tem hoje mas mesmo assim saiam uns desenhos bem legais.

2) Quantos anos voce tinha e que tipo de desenho voces faziam?
Tinha uns 16 anos e fazíamos uns grafites de protesto! Por exemplo, naquela época quem estava na Prefeitura de Santo André era um partido de direita, atrasado mesmo, então o Teatro Municipal, o único da cidade, vivia fechado. Não tinha peças, shows, não tinha cultura e lazer nenhum na cidade, era um tédio só! Aí eu e um camarada fizemos um desenho do Teatro com as portas trancadas escrito “Em cartaz: NADA PROGRAMADO! – Longa temporada“ e enchemos os muros da cidade, deu polêmica, saiu no jornal (risos).

3) Pelo jeito vc sempre foi um cara militante. Você veio de uma comunidade carente?
Eu não nasci na favela, mas nasci no suburbião operário. O ABC naquela época era um subúrbio sem lazer, sem nada pra se fazer. Não tinha um shopping, um bom cinema, nada! Eu era de família operária, pobre pra carvalho. Meus pais tinham origem humilde, trabalhavam nas fábricas e nós morávamos numa casa caindo aos pedaços. Você assistiu “Eles não usam Black-Tie”? Era bem daquele jeito (risos)! Eu, pra ajudar em casa, comecei a trabalhar aos 11 anos, distribuindo panfletos, trabalhando de flanelinha e entregando roupas numa lavanderia. Mas nunca parei de estudar, me formei em Desenho Mecânico e depois em Artes Plásticas. Sempre tive vocação pro desenho e pra militância política.
Quando era garoto surgiu o movimento Punk, que era muito forte no ABC, e me influenciou muito. Nosso lema era “faça você mesmo!”, que é o grande lema do punk. Então nós montávamos nossas bandas, grupos de teatro, e passávamos a madrugada, grafitando e colando cartazes de nossas peças e showzinhos. Era um movimento cultural underground. Um movimento Pré-Grafite!

4) Mas e grafite profissional mesmo, vc chegou a fazer?
Diretamente não. Como eu disse o grafite só amadureceu no ABC mesmo nos anos 90. Aí eu já tava na fa­culdade e trabalhava que nem doido. Mas nessa época a Prefeitura de Santo André já era do PT, que sempre promoveu a cultura e incentivou muito o grafite lá. Eu trabalhei na Prefeitura e fiz muitos desenhos para campanhas educativas que eram grafitados por profissionais do Grafite. Também fiz desenhos para empresas que foram, da mesma maneira, executados na parede por outros profissionais (veja fotos).
Mas apesar de eu não mexer diretamente com essa arte,apóio totalmente a profissionalização desse artistas populares que estão ai pra embelezar a cidade, ao contrário dos pichadores que são meros vândalos emporcalhando as ruas.

5) E com o Hip-Hop, vc tem alguma ligação?
De forma direta também não. Quando eu era moleque nem se falava em Hip Hop no Brasil, então eu fiz minha cabeça com o Punk e o Rockn’Roll, que são o que tem mais a ver comigo. Mas eu respeito o Hip-Hop e o Rap, que são expressões legítimas de boa parte da juventude carente, é a voz da parcela mais sofrida e marginalizada da moçada brasileira. O Rap revelou artistas excelentes como Racionais, Thaíde e outros.
Eu acho o povo brasileiro o mais criativo do mundo porque ele consegue pegar uma música estrangeira, o rap, o reggae, o rock, e adaptá-lo pra realidade nacional, com sabor brasileiro. É um sincretismo cultural sem igual no mundo!

6) E por último, vc está lançando o livro “Roko-Loko e Adrina-Lina“ pela Ópera Graphica. É um livro de quadrinhos sobre rock, não é?
Pode crer! Além de trabalhar pro movimento sindical eu desenho pra várias revistas de rock, como Rock Brigade, Roadie Crew, Dynamite e Metalhead (da Escala). E estou lançando um livro coletânea dos meus personagens que saem na Rock Brigade. Público esses personagens há sete anos e são uns quadrinhos cheios de humor, rock e atitude. É pra fazer pensar e rir sem parar! E o preço é bem popular pra galera não chiar (risos)!

7) Um recado final pra galera.
A gente tá vivendo uma época dura com muita moçada caindo na droga e na violência. Você que é artista do Hip-Hop, do Grafite, tem o compromisso de abrir o olho da moçada carente, de alertar e tentar desviar a galera do caminho ruim. Hip-Hop é senso crítico e lucidez! O Brasil tem tudo pra ser o melhor país do mundo, com justiça social e igualdade, e o Hip-Hop nao só pode como deve ajudar a alcançar esse sonho! Que Deus ilumine a galera! Valeu!!!

 


Copyright © 2004-2009 – Marcio Baraldi – Por SGuerra@dEsign