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Revista 100 Balas

MANDA BALA, BARALDI!


O casal roqueiro mais divertido dos quadrinhos volta com tudo no especial ROKO-LOKO E ADRINA-LINA ATACAM NOVAMENTE! Seu criador, o cartunista Marcio Baraldi, conta um pouco sobre esse novo álbum e seus futuros projetos, bem como sua trajetória profissional envolta em política e muito Rock’n’Roll. Portanto, divirta-se!

Quando e onde você nasceu?
Baraldi – Eu nasci na cidade de Santo André, na gloriosa década de 70! Num 14 de abril. Sou ariano sangue bom!

Legal. E sua família, sempre foi do ABC paulista?
Baraldi – Meus avós eram imigrantes italianos. Meus pais começaram a vida ali. Era uma típica família de proletários do ABC.

Seu pai era operário...
Baraldi – Minha mãe também! Eles se conheceram na fábrica da Rhodia e trabalharam em várias fábricas químicas e metalúrgicas.

Daí veio sua veia militante? Você pegou todo aquele período do Lula e da ascensão do Sindicato dos Metalúrgicos nos anos 70...
Baraldi – Deixa eu explicar: o ABC foi o motor que puxou a democracia de volta! Nós nascemos no meio do Golpe Militar. A gente não tinha muita noção do que acontecia quando éramos crianças...

É, aquelas aulas de Educação Moral e Cívica...
Baraldi – Exatamente! Mas no começo dos anos 80 rolaram aquelas greves históricas em São Bernardo , a cidade virou um palco de guerra!Eu estudava desenho mecânico na ETI Lauro Gomes de São Bernardo e vi toda aquela pancadaria histórica! Era porrada pra todo lado!Aquilo me marcou profundamente!

Falando em desenho, foram os quadrinhos que te levaram a fazer cartum ou o gosto por quadrinhos foi uma conseqüência de sua aptidão artística?
Baraldi – Eu gostava de gibi desde os cinco ou seis anos, antes mesmo de ir pra escola. Aprendi a ler com os quadrinhos do Maurício de Souza... com a Mônica, o Cebolinha....

Mas o Cebolinha não era um bom exemplo...
(risadas)

Baraldi – Pode crer! O lance de falar errado não é politicamente correto, mas pra mim, o Maurício é genial! Principalmente quando ainda escrevia suas próprias histórias! Falam que hoje ele é só um empresário mas... quantas pessoas não cresceram e foram alfabetizadas lendo seus gibis?

É verdade. Além disso, HQ é um negócio como qualquer outro. Mas mudando de assunto, eu sei que você gosta de super-heróis. Qual foi seu primeiro contato com esse universo e quais são os seus preferidos?
Baraldi – Eles vieram depois! Eu era um viciado na Turma da Mônica e no Pererê, do Ziraldo – que acho genial para as crianças, pois além de original tem toda uma brasilidade envolvida! Adorava também os desenhos da Hanna-Barbera. Mas um dia ocorreu algo engraçado. Eu tinha uns 8 anos e estava no primário. Um amigo da escola me disse que havia lido um gibi do Batman. Pô, eu só conhecia o Batman do seriado da TV...

Sei, o Adam West...
Baraldi – Exatamente! Eu não sabia que existia um gibi do Batman! Ao sair da escola fui correndo até um sebo e comprei o exemplar número 63, que era da EBAL – tenho até hoje essa revista. Viciei e parei de vez com o Cebolinha! Logo depois, vieram os heróis Marvel pela Abril e RGE...

Então o Batman é o teu herói preferido?
Baraldi – Eu vasculhava os sebos, que vendiam gibis muito baratos, e meus três primeiros gibis de heróis foram um do Batman, do Capitão Marvel e do Super-Homem. Não são os mais queridos, mas guardo um carinho especial por eles! Meus preferidos, mesmo, são aqueles heróis "trash", como o Turok, o Magnus, o Espectro, o Desafiador... ah, e o Retalho! Lembra dele, cara?

Claro, o Joe Kubert que fazia...
Baraldi – E o Nestor Redondo também! Eu adorava esses heróis "bagaceiros"!(RISOS)


Como se deu seu envolvimento com o cartum? Qual foi seu primeiro trabalho profissional?
Baraldi – Bem, a gente morava no subúrbio e fazia muita bagunça. Pra me manter quietinho, minha mãe me enchia de papel e canetinha, pra eu sossegar! De tanto desenhar, desenvolvi minha vocação. Nos anos 80 surgiu a oportunidade de trabalhar no Sindicato dos Químicos do ABC. Era o fim da ditadura e recomeço da democracia.


Era um começo meio tímido da abertura política. A censura estava meio frouxa...
Baraldi – É, ainda era meio devagar. Lembra que nessa época liberaram as revistas eróticas? Até então, só podiam mostrar os peitos, mas aí, quando as "aranhas" começaram a aparecer, foi uma festa!(risadas)

Lembra da revista Status?
Baraldi –Cheguei a ver! Mas aí, veio a Internacional, a Fiesta...que eram todas explícitas e a gente adorava! Logo depois veio o sindicalismo não-pelego... veio a CUT, que eu ajudei a construir, criando os primeiros cartazes, aquelas coisas...

O Rock’n’Roll surgiu na sua vida nesse período?
Baraldi – O rock surgiu quando eu tinha uns 10 anos. Eu estava em casa ouvindo rádio, quando tocou” We Will Rock You”,do Queen. Foi fantástico!

Sei, o famoso "disco do robô" do Queen.
Baraldi – Isso mesmo! Nunca tinha ouvido nada igual na minha vida! Daí, corri e comprei o compacto. Do lado "B" tinha We Are The Champions. Virei o maior fã do Queen e depois, do KISS. O KISS era a banda que melhor definia as duas coisas: quadrinhos e Rock. KISS era gibi!

Sem dúvida! Seus membros eram como heróis em quadrinhos ambulantes. Na ocasião, até viraram personagens da Marvel...
Baraldi – Exatamente! Logo depois veio o Movimento Punk, que caiu como uma luva pra mim – já que eu vivia numa região altamente politizada...

O Movimento Punk no ABC foi muito grande! Surgiram bandas como Garotos Podres...
Baraldi – Isso... e a DZK, a Libertação Radical, a Corte Marcial, a Hino Mortal... uma pá de bandas fundamentais da primeira geração do Punk....

Creio que ouve uma identificação forte do brado anárquico do Punk com o contexto político da época. Você acha que o Punk foi mais significativo que o Movimento Hippie? Você acha que os hippies caíram na alienação com o passar do tempo? Como você vê isso, como você transportou isso para seus quadrinhos?
Baraldi – Ah, os hippies não eram alienados, não. Os anos 60 foram maravilhosos, teve muita contestação, rebeldia! Naquele tempo houve a liberação sexual e a descoberta das drogas. A regra era ver o que as drogas podiam fazer com os sentidos . Sou radicalmente contra as drogas, mas entendo que naquele momento cabia essa liberação...

Era um momento de descobertas...
Baraldi –Isso mesmo! Até os anos 50, havia uma repressão desgraçada! Aí, nos anos 60, o pessoal soltou a franga! Teve muitos exageros, claro... e vários de nossos heróis morreram de overdose, certo? Eu não peguei essa época, embora o ABC tivesse muito roqueiro no meu período, também.

E como você entrou na imprensa especializada do Rock? Foi com a revista Rock Brigade?
Baraldi – Não, foi nos anos 80 no tablóide “Rocker”, que também era uma gravadora. Eu que fiz a capa do álbum “Rock do ABC”, uma coletânea com várias bandas da região. Na Brigade, entrei somente em 96, quando levei algumas histórinhas do Roko-Loko,que na época ainda nem tinha nome. Eles disseram:-"Cara, é isso que a gente quer!"

O Roko-Loko é o Baraldi?(risadas)
Baraldi – Tem muito do Baraldi... aquele vacilão(risos)! No começo eu nem percebia, mas depois comecei a notar que punha muito de mim no personagem. Um cara otimista...

O primeiro álbum teve uma repercussão estrondosa, e o segundo já é amplamente aguardado! Há mais planos para o personagem?
Baraldi – Um camarada e eu estamos preparando um videogame do Roko-Loko. Vamos colocar no site da Rock Brigade pro pessoal baixar de graça. No jogo, ele salva a Adrina-Lina... luta com o Sertanejo...(risadas)

Você brinca com as outras vertentes musicais mas a gente percebe que você é um cara sem preconceitos. Tanto que até fez um livro com cartuns sobre homossexualidade...
Baraldi – Anos atrás, eu prestava serviços pra Editora Summus, que tinha um selo chamado Edições GLS, capitaneado pela Laura Bacellar, uma pessoa maravilhosa, escritora e lésbica! Ela procurava um ilustrador para os livros dela, mas o cara não podia ter preconceitos. Ela gostou de meu humor, e aí surgiu o livro” Todas as Cores do Humor” – que ficou bem legal, além de ser algo pioneiro...

E como é ter um livro com prefácio do Lula?
Baraldi – Ah, o “Moro Num País TropiCAOS”? Foi uma coletânea de charges políticas que fiz na época do Presidente Fernando Henrique. O Lula ainda era candidato. Como já o conhecia do Movimento Sindical, foi natural pedir um prefácio pra ele! E não vou mentir... o prefácio ajudou a esgotar o livro rapidinho! Deu um "tcham"! Em seguida, ele foi eleito Presidente! Quer dizer então, que tenho um prefácio do Presidente da República em meu livro...(risadas)

Não é pra qualquer um. Como não é, ter um pôster com dedicatória do Stan Lee!
Baraldi – Foi em 1998. Um dia, o Sindicato dos Bancários,onde eu trabalho, assinou um convênio com um curso de inglês. Um dos caras do curso me disse que era amigo do Stan Lee e perguntou se eu gostava dele. Eu disse: "Eu adoro!" Então o cara falou que ia para os States e que ia trazer um pôster autografado do "The Man"...

E você não botou muita fé...

Baraldi – Pois é, mas não é que um mês depois o cara me aparece com o pôster?!?.. Desde então, o guardo com o maior carinho.


Pra finalizar?...
Baraldi – Que Deus me dê muita saúde pra continuar fazendo histórias do Roko-Loko. O segundo volume vai sair agora pela Opera. Está ainda melhor que o primeiro! Tem texto do João Gordo, do Kid Vinil, do Andreas Kisser do Sepultura e mais uma galera legal! Vou fazer um superlançamento e divulgar o personagem cada vez mais! Já tenho um terceiro volume preparado pro ano que vem....

Longa vida ao Roko-Loko!
Amém!!!(risadas)

Entrevista cedida a Roberto Guedes, para a revista 100 Balas nº 31, de julho de 2004.

 


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