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Whiplash!

MARCIO BARALDI, O CARTUNISTA HEADBANGER


Márcio Baraldi, vulgo "O Cachorrão", é um cartunista da pesada. Nasceu no ABC paulista, terra de fumaça e rock’n" roll, onde tocou contrabaixo em algumas bandas de garagem. Cartunista profissional desde os 14 anos, é chargista no Sindicato dos Bancários de São Paulo e tornou-se especialista em cartuns e quadrinhos de rock, colaborando todo mês com a maior parte das revistas de rock brasileiras. Ilustrou também o livro de Vitão Bonesso, “10 Anos de Backstage”, fez a capa do CD “Arquivo do Rock” da 89FM e agora está também no Whiplash!, onde contribuirá com seu legítimo humor rocker.

Whiplash! - Quando você começou a desenhar?
Márcio Baraldi - Desde o útero! Mas, profissionalmente, pra valer mesmo, aos 14 anos, como chargista no Sindicato dos Químicos do ABC paulista, terra onde nasci.

Whiplash! - Você fez algum curso de desenho?
Márcio - Depois de adulto, já com a carreira andando, eu me formei em Artes Plásticas. Foi um curso legal e, sem dúvida, me ajudou profissionalmente, abriu mais minha cabeça de bagre. Mas nada substitui a prática.

Whiplash! - Quais os artistas que mais te influenciaram?
Márcio - No Brasil eu sou fã do Ziraldo e do Maurício de Souza. Para mim, os dois são o máximo! Também gosto de autores estrangeiros como o Jack Kirby, Gil Kane, Neal Adams, Will Eisner, Stan Lee, Hanna e Barbera, todos gênios, feríssimas mesmo!

Whiplash! - Você consegue viver ($$$) apenas com a profissão de ilustrador?
Márcio - Sim! É uma profissão como qualquer outra. Você rala pra carvalho, mas até aí hoje em dia está todo mundo ralando que nem doido: médico, engenheiro, etc. Todo mundo fudido graças ao picareta do Fernando Henrique que acabou com o emprego no Brasil. Pau nesse cara!

Whiplash! - Como surgiu a relação Rock/HQ?
Márcio - Eu sempre fui roqueiro, desde que comprei meu 1º compacto de rock ainda na infância ("We Will Rock You", do Queen),aí o vírus do rock me pegou e não largou mais. Eu também adorava o Kiss quando moleque (aliás, sou fã até hoje), então ficava desenhando Kiss o dia inteiro. Até que depois de adulto comecei a colaborar com excelentes revistas de rock brasileiras como ROCK BRIGADE, METALHEAD, DYNAMITE, ROADIE CREW, onde fico fazendo piada com os roqueiros à vontade. Rock ‘n’Roll sempre foi uma coisa bem-humorada, então unir o rock ao cartum, à HQ, foi fácil e divertido.

Whiplash! - Além de seus trabalhos na Rock Brigade, Roadie Crew, Metalhead e a extinta Herói, quais são seus outros trabalhos? Comente alguns deles.
Márcio - Já colaborei com a Super Interessante, Globo Ciência, MAD, Níquel Náusea, Caros Amigos, América Economia,etc. Hoje, além das revistas de rock, colaboro mensalmente com as revistas ANTENADA, onde faço a "Anteninha", uma adolescente que só quer saber de namorar e sonhar com os Backstreet Boys; ESTAÇÃO CRIANÇA, onde faço o "Junior", um molequinho bagunceiro; a BRAZIL, onde faço histórias eróticas; a TATTOO, onde faço o personagem tatuador “Tattoo Zinho”; a VISÃO ESPÍRITA, onde faço os "Vapt e Vupt", dois passarinhos que ficam tentando entender a raça humana., na DYNAMITE faço um personagem que adoro, o "Sabujo Vingador", um super cachorro que odeia a humanidade mas acaba sempre salvando-a!

Whiplash! - Você é o ilustrador da Brigade e da Roadie Crew, você representa o senso de humor dos bangers brasileiros. O que você acha disso?
Márcio - Eu acho que a seção mais engraçada dessas revistas é a de cartas, onde os leitores se xingam mutuamente. Aquilo é um sarro! Você ri o tempo inteiro! Então muitas das minhas idéias para as piadas tiro dali, leio aquilo todo mês, vejo como é a cabeça do banger brasileiro e inspiro para fazer as piadas. Então, estou tentando fazer um humor onde o leitor banger se veja retratado: muitas situações que ele vê nas HQ´s, com certeza já rolaram de verdade na vida dele. Acho que por isso os leitores se identificam com o ROKO-LOKO e a ADRINA-LINA.

Whiplash! – qual seu processo de criação: você anota as idéias e depois parte para o desenho, ou dedica um tempo para sentar à mesa e só então pensar na piada?
Márcio - Eu faço de todas essas formas. Às vezes tenho a idéia de repente, na cama, no ônibus, no banheiro e anoto rapidinho para depois desenvolvê-la. Outras vezes, sento na prancheta na frente do papel em branco e deixo as idéias brotarem na hora. Qualquer forma funciona.

Whiplash! - Como surgem as idéias das piadas?
Márcio - Eu procuro andar bem informado sobre tudo que rola no meio rocker: quem falou alguma besteira,quem fez o que, enfim, qualquer situação que dê para eu fazer uma piada em cima. Assim, as piadas são sempre atuais.

Whiplash! - Quais as bandas preferidas do Márcio? E do Roko-Loko?
Márcio - As primeiras bandas que eu pirei, ainda na infância, foram o Queen e o Kiss. Depois pintou o punk, a new-wave e o pós-punk, que foi um período muito criativo e legal do rock. Eu sou fanzão do New Model Army e do Clash, bandas bem politizadas e raivosas. Também adoro Motörhead, Metallica, Iron, Doors, Stray Cats, Inocentes, etc. Não sou radical, gosto de som bom, banda boa, pode até ser reggae (Bob Marley, que é o Nelson Mandela da música), funkão e soul dos anos 60 e 70 (James Brown, etc.). Só não gosto de música ruim, fraca, alienante, que só fala de bunda, de ‘corno’, música de gente burra que só quer deixar o Brasil mais burro do que já é! Já com o ROKO-LOKO, eu procuro fazer o mesmo: não deixá-lo muito radical, porque eu quero que os leitores se identifiquem com ele, e nas revistas tem leitor que curte tudo quanto é vertente do Rock. Por isso é que o ROKO tem um gosto bem amplo.

Whiplash! – Internet: um bando de computadores conectados sem sentido ou uma nova mídia que pode ajudar as pessoas?
Márcio - A Internet é espetacular! É uma das invenções mais importantes deste século. O computador está ajudando as pessoas em todas as áreas do conhecimento humano. Da medicina à educação. Da música a engenharia.

Whiplash! - Fale um pouco mais sobre você fora dos desenhos.
Márcio - Também gosto de fazer barulho de vez em quando com meu contrabaixo. Já toquei em pequenas bandas de Rock,Blues e Punk. Não fumo, não bebo, sou radicalmente contra drogas (por mim essa armadilha nem existiria), voto no PT, só transo de camisinha; acredito em Deus e em Cristo. Já fiz fanzine, grafite, teatro, vídeo, locução de rádio, volta e meia dou palestras e workshops por aí. Minhas terapias são: consertar telha quebrada, pintar portas e janelas, arrumar arquivos e cantar o Hino Nacional de madrugada (para desespero dos vizinhos). Meu esporte é correr atrás do prejuízo, no qual sou campeão olímpico imbatível.

Whiplash! - Fale algo para o pessoal do Whiplash!
Márcio - Rock para alguns é só música, diversão; para outros não quer dizer nada. E para outros ainda, Rock é postura de vida.Eu estou nesse grupo! O Rock e os quadrinhos mudaram minha vida, me fizeram achar meu caminho.É como uma ideologia, uma maneira de enxergar o mundo! Acredito que pessoas como Raul Seixas, Renato Russo, Cazuza, Jim Morrisson, Janis, Hendrix, G.G. Allin, Kurt Cobain, etc., não foram rockeiros à toa. É o caminho dos inconformados, dos raivosos, daquelas pessoas que não se adaptam muito bem ao modo como as coisas estão colocadas na sociedade, e precisam questioná-las, tentar mudá-las. É gente que sabe que o mundo está difícil, cínico, violento, e sabe que dá pra fazer alguma coisa, sim, através da música. Sabem que o Rock não só pode, como deve transformar cabeças. Uma das transformações mais importantes do mundo nas últimas décadas foi a revolução sexual/comportamental nos anos 60. Pois alguém consegue imaginar aquele momento histórico sem o Rock de fundo? Dá pra imaginar o movimento hippie sem o Rock’n’Roll? Dá pra imaginar Woodstock sem ele? Rock não é música para entrar por um ouvido e sair pelo outro. É música para ficar lá dentro, ir na veia, pro sangue, pro cérebro, pro espírito! É como o reggae de Bob Marley, hino de guerra a opressão, arma contra o reacionarismo, o racismo, a mentira e a violência. Eu, como bom guerreiro, digo: rockeiro, também estou nessa guerra! E VOCÊ?

Entrevista concedida para Ana ”Moonlight“ Therezo ,do site Whiplash!(www.whiplash.net) em 1999.

 


Copyright © 2004-2009 – Marcio Baraldi – Por SGuerra@dEsign